O Ibovespa avançava nesta terça-feira, 5, puxado principalmente pelas ações da Ambev, que disparavam mais de 14% após a fabricante de bebidas reportar resultado acima do esperado para o primeiro trimestre.

Já o dólar recuava para perto dos R$ 4,90, com investidores digerindo a divulgação da ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) e monitorando o Oriente Médio, onde Estados Unidos e Irã seguem lutando pelo controle do Estreito de Ormuz.

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Às 15h30, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,68%, a 186.865,35 pontos. O dólar recuava 1,07%, negociado a R$ 4,928. Mais cedo, recuou a R$ 4,908. Veja cotações.

Ata do Copom e o dólar

Na ata divulgada mais cedo, o BC avaliou que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio aumenta a chance de impactos duradouros na economia global. Para o BC, a duração da guerra até o momento pode ter sido suficiente para materializar alguns riscos, “sendo o mais evidente a desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028”.

Na semana passada, o Copom cortou a Selic em 25 pontos-base, para 14,50% ao ano, mas pregou cautela quanto ao futuro em função das incertezas sobre a guerra e seus efeitos inflacionários.

No mercado brasileiro, investidores seguem precificando chances majoritárias de novo corte de 25 pontos-base da Selic em junho, mas as apostas na manutenção da taxa em 14,50% não são desprezíveis.

O nível ainda elevado da Selic vem sendo citado como um dos motivos para o forte fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil em meses anteriores, conduzindo as cotações do dólar para níveis mais baixos. Em 2026, o dólar acumula queda próxima de 10% ante o real até agora, apesar do estresse trazido pela guerra no Oriente Médio.

O que explica o salto da Ambev?

A combinação de uma série de feriados prolongados com a realização da Copa do Mundo na América do Norte neste ano devem ajudar as cervejarias a manterem recuperação, afirmou o presidente-executivo da maior cervejaria da América Latina, Ambev, Carlos Lisboa.

A companhia divulgou mais cedo lucro líquido de R$ 3,89 bilhões no primeiro trimestre, avanço de 2,1% sobre um ano antes e distribuição de juros sobre capital próprio de cerca de R$700 milhões, a serem pagos até dezembro. O resultado foi impulsionado pelo Carnaval no Brasil.

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As ações da maior cervejaria da América Latina disparavam. No melhor momento do dia, as ações da Ambev chegaram a R$ 16,84, máxima intradia desde abril de 2018, quando chegaram a R$17. Por volta de 13h55, os papéis eram cotados a R$ 16,73, com avanço de 15,86% – que se confirmado no fechamento será a segunda maior alta desde a criação da Ambev em 1999.

Analistas do Itaú BBA afirmaram mais cedo que a Copa pode ajudar a sustentar o momento positivo para a Ambev e que uma melhoria dos fundamentos neste ano pode ajudar a destravar potencial de valorização para a ação da companhia.

O desempenho da companhia nos três primeiros meses de 2026 veio após, no final do ano passado, a empresa citar problemas causados pelo clima desfavorável para o consumo de cerveja como um de seus principais fatores de preocupação.