30/03/2026 - 17:46
O Ibovespa fechou em alta nesta segunda-feira, 30, após duas quedas seguidas, com as ações da WEG entre os principais suportes, endossadas por “upgrade” do Morgan Stanley, assim como papéis de petrolíferas, em mais um dia de avanço do petróleo no exterior. E o dólar, após oscilar rondando a estabilidade ao londo da sessão, fechou com viés positivo.
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Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,53%, a 182.514,20 pontos, chegando a 184.414,18 pontos na máxima e marcando 181.559,49 pontos na mínima. O volume financeiro no pregão somava R$ 25,56 bilhões.
E dólar fechou praticamente estável ante o real, ainda que no exterior a moeda norte-americana tenha sustentado ganhos ante boa parte das demais divisas de emergentes, em meio à continuação da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. O dólar à vista emcerrou com variação positiva de 0,13%, aos R$5,2461. No ano, a divisa acumula baixa de 4,43%.
Às 17h19, o dólar futuro para abril — o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,12% na B3, aos R$5,2485.
O dólar no dia
As atenções dos investidores nesta segunda-feira seguiram voltadas principalmente para o exterior. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país está em negociações para encerrar o conflito, mas reiterou aviso para que o Irã abra o Estreito de Ormuz, sob pena de sofrer ataques a seus poços de petróleo e suas usinas de energia. Trump também ameaçou atacar as usinas de dessalinização que fornecem água ao país.
Já o Irã qualificou as propostas de paz dos EUA como “irrealistas, ilógicas e excessivas” e lançou mais mísseis contra Israel.
Neste cenário, o petróleo tipo Brent voltou a subir, aproximando-se dos US$ 114 o barril durante a tarde, e o dólar sustentou ganhos ante divisas de emergentes como o peso chileno e o rand sul-africano.
Em relação ao real, porém, o movimento foi mais acomodado durante a maior parte do dia, com o dólar variando entre a cotação mínima de R$5,2265 (-0,24%) às 9h59 e a máxima de R$5,2679 (+0,55%) às 16h27, para depois se reaproximar da estabilidade.
Segundo Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester Investimentos, o real está “bem-posicionado em relação a outras moedas, visto que temos grandes empresas (com peso alto no Ibovespa) que se beneficiam da alta de commodities, bem como nosso juro real acima da média do mercado global”.
Sobre este ponto, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, avaliou pela manhã que os choques de oferta, como o observado neste momento com o conflito no Irã, provavelmente pressionam a inflação para cima e a atividade econômica para baixo. No entanto, ele defendeu que a instituição tenha cautela ao incorporar o impacto da guerra a seus cenários.
“O Banco Central tem toda uma governança justamente para tentar aparar as pontas, para que a gente não tenha posições mais extremadas sobrepondo o processo de decisão de política monetária”, disse.
Atualmente, o mercado está dividido sobre o que o BC anunciará em abril: novo corte de 25 pontos-base da Selic, manutenção da taxa básica em 14,75% ao ano ou redução de 50 pontos-base.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
No exterior, às 17h12 o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,20%, a 100,510.
O dia do Ibovespa
Os Estados Unidos reafirmaram nesta segunda-feira que as negociações com o Irã estão progredindo, enquanto Teerã classificou as propostas norte-americanas para pôr fim a um mês de guerra como “irrealistas, ilógicas e excessivas”.
Diante da contradição e tendo como pano de fundo novos ataques na região, incluindo a entrada dos houthis do Iêmen no conflito, o petróleo fechou com acréscimo de 0,19%, a US$112,78, enquanto o S&P 500 não sustentou a alta e caiu 0,39%.
Para o estrategista de investimentos Nicolas Gass, sócio da GT Capital, a performance do Ibovespa é apoiada no movimento do petróleo, que favorece ações das empresas atreladas à commodity, o que “acaba contaminando positivamente o índice”.
Em contrapartida, acrescentou, declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçaram a visão mais cautelosa da autoridade monetária, o que ajuda a reduzir a força de apostas de um corte mais agressivo na taxa Selic.
“E o cenário global mais turbulento e potencialmente inflacionário reforça essa postura mais conservadora”, observou Gass, ressaltando que, com isso, empresas mais dependentes de crédito e ciclo econômico acabam sendo penalizadas.
DESTAQUES
– WEG ON subiu 3,46%, ampliando a recuperação em março, com o desempenho no mês agora negativo em apenas 1,09%. Analistas do Morgan Stanley elevaram a recomendação das ações da companhia para equal-weight, bem como aumentaram o preço-alvo de R$39 para R$54.
– VALE ON valorizou-se 0,63%, tendo como pano de fundo oscilação discreta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian encerrou as negociações do dia com variação positiva de 0,06%, a 813 iuanes (US$117,68) a tonelada.
– PETROBRAS PN avançou 0,53%, com a alta no petróleo no exterior. No setor, BRAVA ON subiu 2,97%, PETRORECONCAVO ON subiu 2,72% e PRIO ON fechou com elevação de 1,81%. O Morgan Stanley cortou Prio para “equal-weight”, mas elevou o preço-alvo de R$58,50 para R$68.
– ITAÚ UNIBANCO PN subiu 0,36%, em dia misto no setor com dados do mercado de crédito no Brasil mostrando queda de 6,5% nas concessões em fevereiro ante janeiro. SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 0,72%, mas BANCO DO BRASIL ON caiu 1,15% e BRADESCO PN cedeu 0,27%.
– LOJAS RENNER ON recuou 4,70%, acompanhada de perto por C&A ON, que fechou em baixa de 4,33%. Ainda na ponta negativa, VIVARA ON, que caiu 2,14% e MAGAZINE LUIZA ON, que cedeu 1,11%.
– VAMOS ON perdeu 3,71%, em pregão de ajustes, após cinco altas seguidas, período em que acumulou uma valorização de mais de 18%.
