Em uma sessão de liquidez limitada, o dólar oscilou em margens estreitas e fechou a segunda-feira perto da estabilidade, ainda que no exterior a divisa norte-americana tenha sustentado ganhos ante algumas divisas de países emergentes, após os EUA rejeitarem a resposta do Irã à proposta de paz norte-americana.

O dólar à vista fechou com leve baixa de 0,10%, aos R$ 4,8911. Esta é a menor cotação desde 15 de janeiro de 2024, quando a moeda norte-americana encerrou em R$4,8667. No ano, a divisa dos EUA passou a acumular baixa de 10,89% ante o real.

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Às 17h03, o dólar futuro para junho — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,03% na B3, aos R$4,9165, com apenas cerca de 128 mil contratos negociados até este fim da tarde.

Guerra no Oriente Médio

O Irã divulgou no domingo uma proposta para dar fim à guerra em todas as frentes, incluindo no Líbano, onde Israel combate os militantes do Hezbollah. O país solicitou uma compensação por danos de guerra e o fim do bloqueio naval dos EUA, com soberania iraniana no Estreito de Ormuz e garantia de que não haverá novos ataques, entre outras exigências.

Sem dar detalhes, Trump classificou a proposta como “totalmente inaceitável”, mantendo o impasse sobre a guerra. Nesta segunda-feira, Trump voltou a atacar as exigências do Irã, chamando a proposta — na verdade, uma resposta a outra proposta feita anteriormente pelos EUA — de “estúpida”. Trump disse ainda que o cessar-fogo entre os países está “respirando por aparelhos”.

Petróleo

Em reação, o petróleo Brent voltou a subir nesta segunda-feira, para perto dos US$104 o barril neste fim de tarde, enquanto o dólar sustentou ganhos ante parte das demais divisas, incluindo pares do real como a rupia indiana, o peso chileno e a lira turca.

No Brasil, o dólar chegou a registrar leves altas, mas no geral não se afastou da estabilidade, oscilando em margens estreitas durante toda a sessão. Após marcar a máxima de R$4,9059 (+0,20%) às 9h55, o dólar à vista atingiu a mínima de R$4,8858 (-0,21%) às 11h19, para depois se reaproximar da estabilidade. Da máxima para a mínima, a oscilação foi de apenas -0,41%.

“O dólar tentou acompanhar a valorização global da moeda, em função da alta do petróleo com o conflito (no Oriente Médio) que não se decide. Mas ele andou de lado no Brasil”, resumiu o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik.

Focus

Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano passou de R$5,25 para R$5,20. Há um mês, a cotação projetada era de R$5,37.

No caso da Selic, a taxa projetada para o fim de 2026 seguiu em 13,00%, mas para o encerramento de 2027 passou de 11,00% para 11,25%, com os economistas vendo um espaço menor para cortes de juros em meio à continuidade da guerra no Oriente Médio.

O diferencial de juros entre Brasil e outros países — como os EUA, cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.

No fim da manhã, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de junho.

Às 17h14, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — caía 0,05%, a 97,961.

Ibovespa

O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, dia 11, pressionado por ações sensíveis a juros, com a nova alta do preço do petróleo diante do impasse entre Estados Unidos e Irã reforçando preocupações com a inflação e os próximos passos do Banco Central.

A temporada de resultados também ocupou as atenções, mas nem os números robustos do BTG Pactual evitaram o fechamento negativo de suas units, enquanto as ações da Telefônica Brasil figuraram entre as maiores baixas após lucro aquém das expectativas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 1,19%, a 181.908,87 pontos, mínima de fechamento desde 27 de março. Ao longo da sessão, chegou a 181.614,83 na mínima e marcou 184.530,15 na máxima. O volume financeiro do pregão somou R$29,19 bilhões.

A bolsa paulista continua registrando saída líquida de estrangeiros, com o saldo nos primeiros pregões de maio negativo em R$3,3 bilhões, de acordo com dados da B3 até o dia 7.

Fluxo estrangeiro em queda

Em abril, ainda houve entrada líquida de quase R$3,2 bilhões (excluindo follow-ons e IPOs). Mas, até o dia 15, esse saldo era de R$14,6 bilhões.

“Diminuiu de fato um pouco esse fluxo de estrangeiros, mas eu acho que o Brasil, geopoliticamente, ainda oferece uma oportunidade enorme de investimentos” afirmou nesta segunda-feira o diretor financeiro do BTG, Renato Cohn, em conversa com jornalistas para comentar o balanço do primeiro trimestre, ressaltando, porém, que o mercado brasileiro e as empresas brasileiras são muito convidativas para o investidor estrangeiro. “Eu acho que isso ainda continua”, afirmou.

O movimento acompanha a recuperação das ações de empresas de tecnologia dos Estados Unidos, onde os índices acionários S&P 500 e o Nasdaq renovaram máximas nos últimos pregões.

“Parece que a aversão aos EUA diminuiu”, afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar, ressaltando também que, desde o início da guerra, com a revisão nas previsões de inflação para cima, a perspectiva de intensidade de queda da Selic reduziu e alterou o cenário mais favorável ao Brasil.

A piora nas projeções para a inflação no Brasil tem como pano de fundo a forte alta dos preços do petróleo no exterior, na esteira do conflito no Oriente Médio que começou no final de fevereiro, quando EUA e Israel atacaram o Irã.

Trump

No fim de semana, o presidente norte-americano, Donald Trump, considerou “totalmente inaceitável” a resposta do Irã a uma proposta de paz apresentada por Washington. Nesta segunda-feira, Trump disse que o cessar-fogo com o Irã estava “em suporte de vida”. Nesse contexto, o barril sob o contrato Brent fechou em alta de 2,88%, a US$104,21.

De acordo com a análise gráfica semanal do Ibovespa da equipe do BB Investimento, há elementos que sinalizam uma possível continuidade da realização no curtíssimo prazo, mas ainda dentro da tendência primária de alta.

“As alternâncias entre os regimes de alta e baixa do Ibovespa, sinais de volatilidade, podem se tornar mais frequentes, considerando três fatores: persistência dos conflitos no Oriente Médio e impactos em inflação e crescimento; proximidade das eleições, período usualmente mais volátil; e descolamento do desempenho do Ibovespa e do comportamento do dólar, que historicamente possuem correlação inversa”, acrescentou em nota a clientes.