21/01/2026 - 17:28
O Ibovespa fechou em forte alta nesta quarta-feira, 21, renovando máximas e encostando nos 172 mil pontos, em movimento puxado principalmente por fluxo estrangeiro, com ações blue chips como Itaú Unibanco e Vale renovando seus topos históricos.
+ FGC estima em R$ 6,3 bi valor total de reembolso aos clientes do Will Bank
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa avançou 3,33%, a 171.816,67 pontos, máxima da sessão e novo recorde.
O otimismo foi reforçado pelo recuo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quarta-feira em relação às ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia.
Apenas nesta sessão, foram superadas pela primeira vez as marcas de 167 mil, 168 mil, 169 mil, 170 mil e 171 mil pontos. A mínima do pregão foi registrada na abertura, quando o Ibovespa marcou 166.277,91 pontos.
O volume financeiro somava R$ 39,84 bilhões antes dos ajustes finais, acima da média do ano, de R$ 28,99 bilhões.
Já o dólar fechou o dia em baixa firme ante o real, superior a 1%, em meio ao recuo da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior e ao fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira. Veja cotações.
O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 1,10%, aos R$ 5,3209, na menor cotação de fechamento desde 4 de dezembro do ano passado, quando atingiu R$ 5,3103. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,06%.
Às 17h05, o dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais negociado no Brasil — cedia 1,12% na B3, aos R$ 5,3320.
O dólar no dia
No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender que o país passe a controlar a Groenlândia, hoje ligada à Dinamarca, mas abrandou a retórica ao descartar o uso da força para isso.
“As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força”, disse Trump na reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. “Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força.”
O discurso de Trump fez o dólar recuperar um pouco de força ante as divisas fortes no exterior, como o euro e o franco suíço, após a aversão a ativos norte-americanos vista nos últimos dias.
Em relação às moedas de países emergentes, o discurso mais brando de Trump nesta quarta-feira pesou sobre o dólar, que teve baixas firmes ante o real, o peso chileno, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outros.
No Brasil, o forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa de valores acentuou o viés negativo, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. Durante a tarde, o Ibovespa superou os 170 mil pontos pela primeira vez na história.
“A queda nos rendimentos dos Treasuries aliviou um pouco a pressão de compra (de dólares) no Brasil e está ajudando nossa moeda”, comentou pela manhã Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. “Em cima disso, o fluxo para a bolsa, como ontem, (está) aumentando a oferta de dólar por aqui.”
Neste cenário, o dólar cedeu ante o real durante todo o dia, tendo atingido a cotação mínima de R$5,3161 (-1,19%) às 16h32, já na reta final dos negócios.
Durante a tarde, dados do Banco Central corroboraram a percepção recente de forte entrada de recursos no Brasil. O país registrou fluxo cambial total positivo de US$1,544 bilhão em janeiro até o dia 16, em movimento puxado pela via financeira, que acumula entradas líquidas de quase US$3 bilhões este ano, conforme o BC. Somente na última sexta-feira, dia 16, entraram no país pelo canal financeiro US$1,674 bilhão.
Os agentes também estiveram atentos nesta quarta-feira à política. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), cancelou a visita que faria na quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília. O cancelamento levantou dúvidas sobre as articulações da direita para as eleições de outubro.
A possibilidade de Tarcísio ser candidato à Presidência diminuiu após Bolsonaro apoiar seu filho Flávio, senador pelo PL, no fim do ano passado. No entanto, Tarcísio segue como nome preferido da Faria Lima.
Pela manhã, pesquisa da Atlas mostrou que Lula lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para eleição e mantém a dianteira nas simulações de segundo turno.
Sem efeitos diretos no câmbio, o Banco Central decretou pela manhã a liquidação extrajudicial da Will Financeira, controlada pelo Banco Master, também em liquidação.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
O dia do Ibovespa
De acordo com analistas e estrategistas, fatores globais seguem como protagonistas para o desempenho positivo do Ibovespa, com destaque para realocação de capital de mercados desenvolvidos, principalmente Estados Unidos, para emergentes.
Esse movimento, que também se observou no ano passado, reflete uma busca por diversificação geográfica diante do aumento das tensões geopolíticas e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos.
Apenas em 2026, o Ibovespa já acumula alta de 6,64%. De acordo com dados da B3, no ano, a bolsa registra uma entrada líquida de estrangeiros de R$7,6 bilhões até o dia 19.
Para estrategistas do JPMorgan, 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras. Além dos fatores externos, citam que o ciclo de afrouxamento monetário esperado no Brasil adiciona outra camada de otimismo.
“Há uma grande dependência dessa valorização pelo fluxo estrangeiro significativo ingressando em nosso país”, disse o assessor de investimentos Cristiano Henrique Luersen, sócio da Wiser Investimentos.
Luersen reforçou que questões globais macro, em especial geopolíticas, têm promovido uma saída significativa de capital da Europa e dos EUA. “Esse movimento de saída para mercados emergentes começou e veio para ficar”, acrescentou.
O Ibovespa acelerou a alta à tarde, acompanhando a melhora dos pregões em Wall Street, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recuar abruptamente das ameaças de impor tarifas como alavanca para tomar a Groenlândia.
Na sua plataforma Truth Social, Trump citou o arcabouço de um futuro acordo com relação à Groenlândia e à região do Ártico, acrescentando que, assim, não irá impor as tarifas que estavam programadas para entrar em vigor em 1º de fevereiro.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em alta de mais de 1%.
DESTAQUES
– VALE ON avançou 3,02%, para o recorde de fechamento de R$82,50, mesmo em sessão de fraqueza dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian encerrou a sessão do dia com queda de 0,32%. Números de produção e preços da mineradora Rio Tinto também eram analisados. A Vale reporta seus dados de produção e vendas no começo da próxima semana.
– ITAÚ UNIBANCO PN disparou 4,38%, fechando na máxima histórica de R$41,67. Também renovaram topos de fechamento BRADESCO PN, com alta de 3,08%, a R$19,76, BTG PACTUAL UNIT, com elevação de 4,77%, a R$57,73, e SANTANDER BRASIL UNIT, com ganho de 3,02%, a R$34,57. BANCO DO BRASIL ON subiu 3,99%, mas sem conseguir renovar suas máximas históricas de maio de 2025.
– PETROBRAS PN subiu 3,53%, embalada pelo apetite na bolsa paulista, em dia de alta modesta dos preços do petróleo no exterior – o barril do Brent subiu apenas 0,49%. PETROBRAS ON saltou 4,59%.
– COGNA ON disparou 10,96%, seguida pela YDUQS ON, que se valorizou 8,91%, deixando para trás as preocupações envolvendo o resultado do Enamed. Analistas do BTG Pactual afirmaram que o setor está na era de “cash cow”, com as empresas em modo de colheita, obtendo frutos das iniciativas de eficiência, reduzindo operações com disciplina de investimentos e preservação de caixa.
– TIM ON caiu 1,11%, única queda do Ibovespa no dia, tendo de pano de fundo relatório de analistas do Citi cortando a recomendação das ações para neutra e o preço-alvo dos papéis de R$27 para R$25. Entre os argumentos, eles citaram que, embora as tendências de fluxo de caixa continuem evoluindo de forma positiva, estão menos construtivos quanto ao cenário de concorrência no mercado de telefonia móvel.
