O Ibovespa registrava queda firme nos primeiros negócios desta terça-feira, 9, com perda de mais de 1%, enquanto os investidores avaliavam novos comentários do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em relação a sua candidatura à Presidência, ao mesmo tempo em que se preparam para o anúncio das decisões de juros do Banco Central do Brasil e do Federal Reserve, nesta quarta-feira, 10.

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Às 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, chegou a operar 1,27% no negativo e abaixo dos 157 mil pontos. Por volta de 15h49, operava em queda de 0,18%, aos 157.905,95 pontos.

O dólar também refletia os investidores monitorando os desdobramentos da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência em 2026, e operava em alta no frente ao real, enquanto no exterior a moeda norte-americana mostra maior acomodação.

Às 15h51, o dólar à vista subia 0,12%, aos R$ 5,448 na venda, após chegar perto de R$ 5,47 mais cedo. Veja cotações.

Na B3, o contrato de dólar futuro para janeiro — atualmente o mais líquido no Brasil — avançava 0,05%, aos R 5,4610.

O dólar no dia

Na noite de segunda-feira, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reafirmou sua lealdade ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado. Tarcísio disse que vai apoiar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente, ao Palácio do Planalto.

“Eu sempre disse que eu ia ser leal ao Bolsonaro, que eu sou grato ao Bolsonaro e eu tenho essa lealdade, é inegociável”, disse Tarcísio a jornalistas em Diadema.

Flávio, por sua vez, afirmou em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que sua candidatura é “irreversível” e “não está à venda”, descartando a possibilidade de Tarcísio também ser candidato. “Eu acho que não tem um cenário de eu ser candidato e ele ser”, afirmou.

O mercado tem reagido mal à pré-candidatura de Flávio, que é visto como um nome mais fraco que Tarcísio em eventual disputa eleitoral com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na segunda-feira, em meio a especulações de que Flávio pudesse desistir da candidatura, após o próprio senador ter sugerido essa possibilidade no domingo, o dólar fechou a sessão em leve baixa de 0,23%, aos R$5,4220. O movimento esteve longe de compensar a disparada de 2,34% de sexta-feira, quando os agentes reagiram negativamente ao anúncio sobre Flávio.

O avanço do dólar ante o real nesta terça-feira ocorre ainda que, no exterior, os mercados de moedas demonstrem maior acomodação, com investidores à espera da decisão sobre juros do Federal Reserve, na quarta-feira.

Às 9h16, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — subia 0,05%, a 99,115. Neste horário, o dólar tinha sinais mistos ante os pares do real.

Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de janeiro.

O dia do Ibovespa

O contrato futuro do índice com vencimento mais curto, em 17 de dezembro, mostrava decréscimo de 0,9%.

Pela manhã, Flávio Bolsonaro repetiu que sua candidatura à Presidência é irreversível, agradeceu o apoio manifestado na véspera pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e disse que a preocupação dos mercados financeiros é com uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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O senador falou a jornalistas após visitar seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde Bolsonaro cumpre pena por tentativa de golpe de Estado.

O anúncio na última sexta-feira de que Bolsonaro havia escolhido Flávio para ser o candidato do campo bolsonarista à Presidência na eleição do ano que vem foi mal recebido pelos mercados financeiros, com o Ibovespa caindo mais de 4% e o dólar disparando contra o real. Agentes financeiros entendem que Flávio reúne menos condições que Tarcísio para atrair o eleitor de centro e derrotar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja política econômica criticam.

Em outra frente, a expectativa pelos anúncios das decisões de juros do BC e do Fed gerava cautela entre os investidores, reforçando as perdas do Ibovespa. As apostas majoritárias do mercado sinalizam manutenção da Selic em 15%, enquanto para o Fed a perspectiva é de corte de 25 pontos-base da taxa de juros dos EUA.

“A dúvida central não está no corte de 25 pontos-base amplamente esperado, mas na sinalização sobre o ritmo de cortes para 2026 e na leitura de inflação que o Comitê deve reforçar”, disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.

Ainda no exterior, os agentes aguardam a publicação de dados de emprego dos EUA, que acontece ainda nesta terça.

DESTAQUES

– MAGAZINE LUIZA ON liderava as perdas do índice, caindo 5,22%, junto com outras varejistas, como LOJAS RENNER ON, que perdia 4,71%, e GPA, que recuava 3,13%.

– KLABIN avançava 2,35%, sendo uma das poucas ações em alta no índice. A companhia aprovou R$1,1 bilhão em dividendos intercalares e um aumento de capital com bonificação de ações de R$800 milhões. Mais cedo, em evento, a empresa declarou que vê capex total em R$2,8 bilhões em 2027; R$2,5 bilhões em 2028 e entre R$2 bilhões e R$2,5 bilhões no longo prazo.

– PETROBRAS PN caía 0,63% e PETROBRAS ON perdia 0,75%, em linha com a queda do petróleo no exterior.

– VALE ON mostrava queda de 0,72%, acompanhando a queda dos futuros do minério de ferro na China.

– BRADESCO PN caía 2,63%, ITAÚ UNIBANCO PN recuava 1,18%, SANTANDER BRASIL UNIT perdia 2,59% e BANCO DO BRASIL ON tinha queda de 1,81%.