16/04/2026 - 13:10
O Ibovespa mostrava fraqueza nesta quinta-feira, 16, com Ambev e Embraer entre as maiores pressões de queda, enquanto Petrobras atuava como contrapeso em meio ao avanço do petróleo no exterior e expectativa para assembleia de acionistas. Já o dólar, voltou a ser negociado acima dos R$ 5,00, após dois dias abaixo desse patamar pela primeira vez em dois anos.
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Por volta de 12h49, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,25%, a 196.9035,45 pontos, após ter alcançado 198.586,57 pontos na máxima. O volume financeiro no pregão somava R$ 5,96 bilhões.
No mesmo horário, a moeda americana subia 0,35%, negociada a R$ 5,002.
O dólar no dia
A expectativa de um acordo definitivo entre EUA e Irã para dar fim à guerra seguia permeando os mercados nesta quinta-feira.
Um importante mediador paquistanês teria avançado em “questões delicadas”, conforme uma fonte ouvida pela Reuters, ainda que o destino do programa nuclear do Irã não tenha sido definido. Outra fonte afirmou que o Irã poderia deixar navios navegarem livremente pelo lado de Omã do Estreito de Ormuz, sem risco de ataque, desde que um acordo evite um novo conflito.
Neste cenário, o dólar tinha leves altas ante algumas moedas fortes, como o euro e a libra, mas sustentava baixas leves ante outras divisas, em uma sessão até o momento sem uma tendência forte.
No Brasil, o Banco Central informou mais cedo que seu Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) subiu 0,6% em fevereiro ante janeiro, na série com ajuste sazonal, ficando acima da expectativa de economistas ouvidos pela Reuters de alta de 0,47%. Em relação a fevereiro de 2024, o IBC-Br cedeu 0,3% na série sem ajuste, e nos 12 meses até fevereiro houve aumento de 1,9% da atividade.
Na renda fixa, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) registraram leves ganhos após o IBC-Br acima do esperado, com investidores consolidando apostas de que o BC cortará a taxa básica Selic em apenas 25 pontos-base no fim do mês. Atualmente a Selic está em 14,75% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% — vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
Na quarta-feira, o dólar à vista encerrou com queda de 0,02%, aos R$4,9927, na sexta sessão consecutiva de variação negativa, ainda que limitada.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 4 de maio.
O dia do Ibovespa
Investidores também seguem monitorando a possibilidade de um acordo que encerre ou estenda a trégua no conflito no Oriente Médio, que começou com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã no final de fevereiro.
Duas fontes iranianas afirmaram à Reuters que negociadores dos EUA e do Irã reduziram suas ambições de um acordo de paz abrangente e, em vez disso, estão buscando um memorando temporário para evitar o retorno do conflito.
Uma autoridade sênior iraniana disse que os dois lados começaram a diminuir algumas lacunas, inclusive sobre como administrar o Estreito de Ormuz, uma rota vital para cerca de 20% da demanda de petróleo e gás do mundo, que está fechada para a maioria dos navios há semanas.
Em Nova York, o norte-americano S&P 500 perdia 0,15%, enquanto o pan-europeu STOXX 600 mostrava alta de 0,12%.
No Brasil, o noticiário também destacava o IBC-Br, considerado um sinalizador do PIB, que registrou alta de 0,6% em fevereiro ante janeiro, acima da expectativa em pesquisa da Reuters de acréscimo de 0,47%.
De acordo com o analista técnico Gilberto Coelho, da XP Investimentos, o Ibovespa está em tendência de alta pelas médias de 21 e 200 dias, mas interrompeu a renovação de máximas históricas na véspera.
“A perda dos 198.000 (se confirmada no fechamento) sugere realizações de curto prazo na direção dos 192.500 ou 187.250”, afirmou em relatório a clientes, destacando que o “sinal de alta seria retomado com um fechamento acima dos 199.350 projetando de 202.500 a 212.250” pontos.
DESTAQUES
• EMBRAER ON recuava 3,05%, no segundo pregão seguido de queda, após forte valorização recente, com a alta acumulada em abril ainda somando cerca de 8%.
• AMBEV ON caía 2,27%. Analistas do UBS BB cortaram a recomendação da ação para venda e reduziram o preço-alvo de R$15 para R$14,50. Eles avaliam que a relação risco/retorno nos níveis atuais está desfavorável, com viés de queda, e veem um desalinhamento crescente entre o perfil de crescimento dos lucros, o custo de capital no Brasil e valuation.
• ASSAÍ ON perdia 4,53%, tendo no radar divulgação pela Receita Federal de que está notificando cerca de 3 mil empresas sobre adoção de práticas sem respaldo legal na apuração de créditos de PIS/Pasep e Cofins e que o órgão está buscando recuperar R$10 bilhões. A Receita não citou nomes, mas disse que o escopo das análises apontou maior incidência dessas situações no segmento supermercadista.
• VALE ON caía 0,5%, mesmo com o movimento positivo dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian <DCIOcv1> subiu 3,1%, em meio à repercussão positiva de dados da segunda maior economia do mundo. A mineradora também divulga após o fechamento dados sobre produção e vendas no primeiro trimestre.
• PETROBRAS PN tinha alta de 2,03%, endossada pelo avanço do petróleo no exterior, com o barril sob o contrato Brent sendo negociado com acréscimo de 2,71%. Investidores também estão monitorando assembleia de acionistas da companhia que irá decidir sobre novo conselho de administração da estatal.
• BRADESCO PN subia 0,34%, destoando do viés negativo do setor, que mostrava ITAÚ UNIBANCO PN em baixa de 1,11%, BANCO DO BRASIL ON cedendo 1,68% e SANTANDER BRASIL UNIT com decréscimo de 1,23%. Investidores seguem atentos a potenciais medidas de crédito do governo para lidar com o elevado endividamento da população.
