28/04/2026 - 13:03
O Ibovespa opera em baixa nesta terça-feira, 28, praticamente zerando os ganhos de abril, em meio a um ambiente negativo no exterior, com o barril do petróleo acima de US$ 111.
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Investidores da bolsa paulista também repercutem resultados corporativos conhecidos na véspera, notadamente Assaí e Gerdau, enquanto a agenda macroeconômica incluía dados mostrando que o IPCA-15 acelerou menos do que o esperado em abril.
Por volta de 12h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,64%, a 188.368,81 pontos, passando a acumular acréscimo de apenas 0,26% no mês. Até a véspera, mostrava alta de mais de 1%, após registrar mais cedo em abril novas máximas e ultrapassar os 199 mil pontos pela primeira vez durante o pregão.
O volume financeiro somava R$ 7,26 bilhões.
Dólar ronda a estabilidade
Após abrir em alta no patamar dos R$ 5, o dólar opera estável ante o real na manhã desta terça-feira, em um dia de avanço da moeda americana no exterior, enquanto os agentes seguem monitorando a situação no Oriente Médio um dia antes de decisões sobre juros do Banco Central e do Federal Reserve.
Às 12h45, o dólar à vista apresentava estabilidade, aos R$ 4,9915 na venda, com recuo de 0,17%.
Na B3, o contrato de dólar futuro para maio — atualmente o mais líquido no mercado brasileiro — subia 0,03%, aos R$4,9875.
No exterior, a moeda americana interrompe uma sequência de dois dias de quedas e opera em alta, com o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,27%, a 98,726.
O movimento do dólar no exterior acontece após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter discutido uma nova proposta iraniana para resolver a guerra com seus principais assessores de segurança nacional na segunda-feira. Uma autoridade norte-americana disse mais tarde que Trump está insatisfeito com a proposta porque ela não abordou o programa nuclear do Irã.
A persistência da indefinição faz os preços do petróleo subirem 4%, com os contratos do Brent operando acima dos US$ 110.
Ao mesmo tempo, agentes no Brasil e no exterior aguardam as decisões de política monetária. Na quarta-feira, BC e Fed divulgam suas decisões, com o mercado apostando em uma redução da Selic para 14,50% ao ano, com um corte de 0,25 ponto percentual, e prevendo a manutenção da taxa do Fed na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano. Os bancos centrais da zona do euro, do Reino Unido e do Canadá também anunciarão suas decisões sobre as taxas esta semana.
Na agenda macroeconômica doméstica, o IBGE divulgou nesta manhã o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, que mostrou alta de 0,89% em abril, após avanço de 0,44% no mês anterior. Pesquisa da Reuters com economistas estimava alta de 1,00% para o período.
Na segunda-feira, o dólar à vista encerrou com variação negativa de 0,34%, aos R$ 4,9827.
O dia do Ibovespa
No front geopolítico, autoridades norte-americanas indicaram que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estava insatisfeito com a última proposta do Irã para resolver a guerra, esfriando ainda mais expectativas para um desfecho do conflito que já dura dois meses. A oferta de Teerã buscava resolver a guerra e as disputas sobre transporte marítimo, mas adiar a discussão sobre o programa nuclear do país.
Diante do impasse, o barril do petróleo sob o contrato Brent avançava 2,72%, a US$111,17, enquanto o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, perdia 0,59%, com investidores também questionando se o boom da inteligência artificial pode proporcionar um crescimento significativo para as ações de tecnologia.
Na pauta doméstica, IPCA-15 subiu 0,89% em abril, após uma alta de 0,44% em março, de acordo com o IBGE. Foi a taxa mensal mais elevada desde fevereiro de 2025 (1,23%), mas ficou abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters de aumento de 1%.
A Receita Federal também mostrou que a arrecadação do governo federal teve alta real de 4,99% em março sobre o mesmo mês do ano anterior, somando R$229,249 bilhões. O resultado é o melhor para meses de março da série histórica iniciada em 1995.
DESTAQUES
• HAPVIDA ON recuava 6,62%, no segundo pregão seguido de queda, após forte valorização na semana passada, de mais de 15%.
• ASSAÍ ON caía 3,76%, após o balanço do primeiro trimestre mostrar lucro líquido de R$86 milhões, queda de 46,7% sobre o resultado obtido um ano antes. O resultado operacional medido pelo Ebitda ajustado ficou praticamente estável na comparação ano a ano, assim como a receita líquida. O indicador de vendas mesmas lojas recuou 0,9% no trimestre.
• TELEFÔNICA BRASIL ON perdia 2,77% e TIM ON cedia 2,95%, tendo de pano de fundo relatório de analistas do Bradesco BBI com corte na recomendação das ações para neutra. Na visão deles, os papéis estão sendo negociados perto de seu valor justo, enquanto pressões crescentes de competição reduzem a chance de surpresas positivas.
• COSAN ON avançava 1,2%, tendo no radar anúncio de IPO da sua empresa de gás e energia Compass de até 145.643.738 ações (incluídos os lotes adicional e suplementar), com faixa indicativa de preço entre R$28 e R$35 por papel. A oferta será 100% secundária, tendo como acionistas vendedores a Cosan, veículos da Atmos, o banco Bradesco, veículos da Brasil Capital e o grupo Bússola. A precificação está prevista para 7 de maio.
• GERDAU PN subia 1,43%, após divulgar lucro líquido ajustado de R$1 bilhão para o primeiro trimestre, um crescimento de 33,6% sobre o resultado apresentado um ano antes. O conselho de administração do grupo siderúrgico também aprovou pagamento de R$354 milhões em dividendos aos acionistas, equivalente a R$0,18 por ação. Em entrevista coletiva, o vice-presidente financeiro disse que a Gerdau prevê para o segundo semestre um posicionamento do governo federal sobre o pedido de criação de tarifa antidumping sobre importações de fio máquina no Brasil.
• ULTRAPAR ON valorizava-se 0,72%, no terceiro pregão seguido de alta. Analistas do BTG Pactual escreveram em relatório na véspera que a companhia está entrando em um ciclo positivo de resultados, liderado pela divisão Ipiranga, na qual eles esperam uma forte melhora no primeiro e no segundo semestre deste ano.
• SABESP ON recuava 2,34%, tendo no radar proposta da administração de desdobramento de ações ordinárias da companhia na proporção de uma para cinco.
• VALE ON cedia 1,04%, em meio ao declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 0,89%, para 780,5 iuanes (US$114,20) a tonelada.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,39%, em pregão negativo no setor, com BRADESCO PN em queda de 1,22% e BANCO DO BRASIL ON com declínio de 0,4%. SANTANDER BRASIL UNIT, que divulga balanço na quarta-feira, antes da abertura do mercado, perdia 1,31%.
• PETROBRAS PN avançava 0,76% e PETROBRAS ON tinha elevação de 1,01%, endossadas pela alta do petróleo no exterior. A companhia também divulgou na véspera, após o encerramento do pregão, que fechou acordo de R$1,5 bilhão para ampliar participação em campo de Argonauta, na Bacia de Campos.
