21/01/2026 - 12:51
O Ibovespa avançava nesta quarta-feira, 21, tendo renovado máxima histórica intradia acima de 169 mil pontos, em meio a um começo de ano marcado por forte entrada de capital externo na bolsa paulista e perspectiva de continuidade de tal fluxo. Por volta de 11h35, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 1,79%, a 169.250,72 pontos. As marcas de 167 mil, 168 mil e 169 mil pontos foram superadas pela primeira vez nesta sessão. O volume financeiro somava R$ 6,575 bilhões.
As ações brasileiras continuam beneficiadas pelo movimento de rotação global de ativos em busca de diversificação, que marcou 2025, quando a bolsa registrou entrada líquida de estrangeiros de cerca de R$ 25 bilhões, segundo a B3. Neste ano, até o dia 19, o saldo está positivo em R$ 7,6 bilhões. “É fluxo que explica essa alta da bolsa”, afirmou o gestor de uma empresa de previdência complementar.
Novas tensões geopolíticas globais e preocupações em torno da política comercial dos Estados Unidos têm corroborado para a migração de recursos, principalmente oriundos dos EUA, em meio a um cenário também de queda da taxa de juros norte-americana. Estrategistas do JPMorgan avaliam que 2026 pode ser mais um ano com fortes fluxos de capital externo para as ações brasileiras, conforme investidores devem continuar buscando diversificação fora dos EUA, o que deve beneficiar emergentes.
A alocação de emergentes em fundos globais, observaram, está em níveis historicamente baixos e uma reversão à média dos últimos 10 anos poderia se traduzir em aproximadamente US$ 25 bilhões em ingressos para o Brasil. “O ciclo de afrouxamento monetário no Brasil adiciona outra camada de otimismo”, acrescentaram, citando que economistas do JPMorgan esperam um ciclo de cortes de 3,5 pontos percentuais, com início em março, levando a Selic a 11,50% no final de 2026.
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A equipe do JPMorgan ponderou que uma possível escalada de tensões geopolíticas e comerciais globais podem afetar o apetite por mercados de maior beta, enquanto, no Brasil, os riscos residem em queda de juros mais lenta ou maior ruído político. No contexto eleitoral local, investidores também repercutem nesta sessão nova pesquisa Atlas, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga todos os cenários de primeiro turno para eleição presidencial de outubro.
Também em foco está a presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em evento com líderes mundiais em Davos, na Suíça, onde pediu nesta quarta-feira negociações imediatas para aquisição norte-americana da Groenlândia, acrescentando que não usará a força em sua campanha pela ilha.
Em Wall Street, o S&P 500 avançava nos primeiros negócios, com agentes analisando também números da Netflix.
Dólar cai quase 1%
O dólar aprofundou a queda ante o real nesta quarta-feira, influenciado pelo recuo da moeda norte-americana ante as divisas de países emergentes no exterior e pelo fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira. Às 12h11 o dólar à vista cedia 0,92%, aos R$ 5,3306 na venda. Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro — atualmente o mais líquido no Brasil — caía 0,90%, aos R$5,3440.
No exterior, a divisa dos Estados Unidos recuava ante a maior parte das demais moedas, incluindo as de países emergentes, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter descartado o uso da força para que passe a controlar a Groenlândia. “As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força”, disse Trump na reunião anual do Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. “Eu não quero usar a força. Eu não usarei a força.”
Nos últimos dias, os mercados globais reagiram negativamente às ameaças feitas por Trump à Europa de impor novas tarifas comerciais a oito países do continente até que os EUA possam comprar a Groenlândia — hoje ligada à Dinamarca. Às 12h13 desta quarta-feira, o índice do dólar — que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes — cedia 0,02%, aos 98,518.
Como previsto, Trump não anunciou em seu discurso o futuro chair do Federal Reserve, em substituição a Jerome Powell, mas pontuou que todos os entrevistados para o cargo são ótimos, acrescentando que o problema é que eles mudam quando conseguem a função. Além do viés negativo vindo do exterior, o dólar recua ante o real em reação ao forte fluxo de recursos estrangeiros para a bolsa de valores brasileira, conforme profissionais ouvidos pela Reuters. Durante a manhã, o Ibovespa renovou máximas históricas e se aproximou dos 170 mil pontos.
“A queda nos rendimentos dos Treasuries aliviou um pouco a pressão de compra (de dólares) no Brasil e está ajudando nossa moeda”, comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital. “Em cima disso, o fluxo para a bolsa, como ontem, (está) aumentando a oferta de dólar por aqui.”
Pela manhã, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master. Conforme o BC, a liquidação ocorreu “em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial”.
Outro ponto de atenção é o cenário político, após notícias na imprensa de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, cancelou a visita que faria na quinta-feira ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso em Brasília. A possibilidade de Tarcísio ser candidato à Presidência neste ano diminuiu após Bolsonaro apoiar seu filho Flávio, senador pelo PL, no fim do ano passado. No entanto, Tarcísio segue como nome preferido da Faria Lima.
Na terça-feira, o dólar fechou cotado a R$5,3802, em alta de 0,29%.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
