19/03/2026 - 11:46
O Ibovespa recuava e o dólar subia nesta quinta-feira, com os mercados pressionados pelo cenário externo desfavorável, com nova disparada do petróleo, que voltou a ultrapassar US$ 115 após ataques do Irã a instalações de energia no Oriente Médio.
Por volta de 11h30, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,51%, a pontos. Já o dólar à vista subia 0,24%, aos R$ 5,271 na venda. Veja cotações.
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No Brasil, o Banco Central abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.
No cenário geopolítico, o Irã atacou infraestruturas de energia no Oriente Médio, em retaliação aos ataques israelenses às suas instalações de gás, marcando a maior escalada da guerra de quase três semanas.
Os ataques causaram danos à maior usina de gás do mundo no Catar, tiveram como alvo uma refinaria na Arábia Saudita, forçaram os Emirados Árabes Unidos a fechar as instalações de gás e provocaram incêndios em duas refinarias do Kuweit.
O barril sob o contrato Brent chegou a superar US$119 momentaneamente, sendo cotado por volta das 11h30 a US$ 111,89, em alta de 4,20%.
Preocupações relacionadas à guerra pesavam também em Wall Street, onde o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, recuava ao redor de 0,50%.
Juros nos EUA
Na tarde de quarta-feira o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) anunciou a manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75%, como era largamente esperado pelo mercado, e adotou um discurso cauteloso em relação ao futuro da política monetária.
Em entrevista após o anúncio, o chair do Fed, Jerome Powell, afirmou que as implicações da guerra no Oriente Médio são incertas e que ainda é cedo para saber a duração de seus efeitos sobre a economia.
O diferencial de juros entre Brasil e EUA vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. A guerra, porém, tem sido um fator de alta para a moeda norte-americana.
