O Ibovespa Futuro opera em baixa acentuada nesta segunda-feira (28), impactado principalmente pela elevação dos preços do petróleo em meio ao impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã. A tensão internacional somou-se à cautela do mercado com a divulgação de novas pesquisas eleitorais no Brasil, que apontam para um cenário de indefinição política. Investidores também digerem projeções do Boletim Focus e se preparam para dados econômicos cruciais dos EUA.

O que aconteceu

  • O Ibovespa Futuro registra queda significativa, pressionado pelo salto nos preços do petróleo e pelo cenário eleitoral brasileiro.
  • Novas pesquisas de intenção de voto no Brasil indicam ampliação da vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro, com mercado atento à divulgação da Quaest.
  • O Boletim Focus revisou para cima a projeção de inflação para 2026, enquanto investidores monitoram indicadores macroeconômicos dos Estados Unidos.

O contrato do Ibovespa Futuro, que mede as expectativas para a bolsa de valores brasileira, caía 0,78% por volta das 9h04 (horário de Brasília) desta manhã, atingindo 183.270 pontos.

Pesquisa BTG/Nexus divulgada nas primeiras horas desta segunda-feira revelou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua liderança sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto para o primeiro turno. O levantamento mostrou ainda uma diferença de dois pontos percentuais em um eventual segundo turno, patamar que ainda se encontra dentro da margem de empate técnico. A divulgação de outro importante levantamento, da Quaest, é esperada para as próximas horas.

O que projeta o boletim Focus para a economia brasileira?

As projeções para a economia brasileira também foram atualizadas. O mercado elevou pela segunda semana consecutiva a previsão para a inflação de 2026, que passou de 4,92% para 4,99%, conforme o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (28) pelo Banco Central. Para o ano corrente, a mediana das estimativas aponta que o dólar pode encerrar em R$ 5,20, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 1,86% e a taxa Selic em 13,50%.

Tensão geopolítica e impactos globais

No cenário internacional, a semana se inicia com investidores preocupados com uma agenda carregada de riscos macroeconômicos. Nos Estados Unidos, a expectativa é pela divulgação de importantes dados de inflação, Produto Interno Bruto (PIB), indústria e empregos, que podem ditar o rumo das políticas monetárias e o humor dos mercados globais.

No último fim de semana, a situação entre os EUA e o Irã escalou, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitando uma proposta iraniana para reabrir o Estreito de Ormuz. Trump afirmou que Teerã estaria desesperado para fechar um acordo. O presidente americano indicou que as negociações continuarão ao longo desta semana, embora o Irã não demonstre sinais de flexibilizar suas propostas. Diante do impasse, os preços do petróleo registraram um salto de aproximadamente 4% nas cotações internacionais.

O reflexo dessa incerteza também foi sentido em Wall Street. O Dow Jones Futuro recuava 0,56%, enquanto o S&P Futuro caía 0,45%. O Nasdaq Futuro, por sua vez, apresentava desvalorização de 0,81% nos primeiros negócios.

Dólar e mercados asiáticos em movimento

No Brasil, o dólar futuro para o contrato de outubro – que se tornou o mais negociado no mercado – registrava alta de 0,32% na B3, sendo cotado a R$ 5,212.

Os mercados da Ásia-Pacífico encerraram a sessão de forma mista, com destaque negativo para o Kospi, da Coreia do Sul, que liderou as perdas com uma baixa de 2,70%.

Os preços do petróleo, como mencionado, registram forte valorização após a recusa do presidente Donald Trump à proposta iraniana de paz que visava encerrar o conflito no Oriente Médio e reabrir o estratégico Estreito de Ormuz.

Em contrapartida, as cotações do minério de ferro na China caíram para a mínima de cinco semanas. A desvalorização é atribuída à ampla oferta global do insumo, ao aumento dos estoques nos portos chineses e à redução da produção das siderúrgicas, que enfrentam um aprofundamento dos prejuízos.

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