O Ibovespa perdeu força e passou a cair nesta segunda-feira (19), em meio à disputa presidencial apertada e ao recuo do petróleo. Às 11h54, o índice registrava baixa de 0,27%, aos 204.872 pontos, apesar do avanço da maioria das bolsas em Nova York.

Mais cedo, a Bolsa brasileira havia se aproximado dos 207 mil pontos. A alta do minério de ferro na China e a recuperação das ações americanas ajudaram o movimento inicial, mas não sustentaram os ganhos.

Petrobras pressiona índice com queda do petróleo

O petróleo recuava após os Estados Unidos aliviarem sanções à Rússia, ampliando a perspectiva de oferta. As ações da Petrobras acompanhavam a commodity e pesavam sobre o Ibovespa. Os papéis preferenciais PETR4 caíam 1,84%.

A queda do combustível pode aliviar pressões inflacionárias de curto prazo e favorecer empresas mais sensíveis ao ciclo econômico. Esse efeito, porém, convivia com a revisão para cima da expectativa de inflação para 2027 no Boletim Focus.

“O trade eleitoral dita o pregão e o exterior ajuda na margem, com Nova York em alta, petróleo em queda e dólar mais fraco”, afirmou Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital.

Pesquisas e debate mantêm eleição no centro do pregão

Os levantamentos BTG/Nexus e Atlas/Bloomberg divulgados pela manhã mostraram redução da vantagem numérica de Flávio Bolsonaro (PL) sobre Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na BTG/Nexus, os candidatos permaneceram em empate técnico.

Novas pesquisas estão previstas ao longo da semana. Os investidores acompanham os possíveis efeitos do debate de domingo, marcado por acusações mútuas e poucos esclarecimentos sobre propostas econômicas.

Parte do mercado associa Flávio a uma agenda mais liberal, mas a ausência de um plano fiscal detalhado gera cautela. Para Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, promessas de maior gasto exigem explicações sobre financiamento e execução.

“O investidor não reage à promessa em si, ele reage à falta de detalhe”, afirmou.

IPCA-15 e balanços dividem atenção com cenário político

A semana terá a divulgação do IPCA-15 de outubro, prevista para sexta-feira, e o início da temporada de resultados no Brasil. WEG e Bradesco estão entre as empresas com balanços na agenda.

No Focus, a projeção para a inflação de 2026 permaneceu estável, enquanto a estimativa para 2027 aumentou.

No exterior, ações ligadas à inteligência artificial se recuperavam das perdas da semana anterior. Os resultados de Meta e Tesla estão no radar. As bolsas europeias recuavam após os protestos na França no fim de semana.

Azzas e B3 avançam; Caixa Seguridade recua

A Azzas 2154 registrava forte alta após quatro sessões de queda. Os investidores acompanhavam especulações sobre a reorganização societária e possíveis alternativas envolvendo a Farm Rio.

A B3 avançava com dados recentes de melhora do volume negociado em renda variável e fluxo positivo de estrangeiros. A Vale tinha leve valorização, apoiada pela alta do minério de ferro.

Entre os bancos, BTG Pactual e Banco do Brasil subiam, enquanto Bradesco e Santander recuavam. O Itaú apresentava pequena alta.

A Caixa Seguridade caía após informar que a Too Seguros recebeu notificação do Banco Pan para rescindir um contrato de distribuição. A companhia prevê receber uma multa contratual, com efeito positivo estimado no lucro líquido de 2026.

O pregão combinava recuperação pontual de ações com pressão da Petrobras e incerteza eleitoral. As próximas pesquisas e os balanços permaneciam como referências para a avaliação dos investidores.

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