O Ibovespa opera em queda acentuada nesta segunda-feira (14), pressionado por uma confluência de fatores globais e tensões políticas domésticas. O principal índice da Bolsa brasileira recuava 1,48%, atingindo 184.470 pontos, enquanto o dólar registrava alta de 1%, cotado a R$ 5,17, às 11h20 (horário de Brasília).

O que aconteceu

  • O Ibovespa em queda é reflexo de preocupações com a inflação global e juros, além de incertezas no cenário político-eleitoral brasileiro.
  • Internacionalmente, a cautela sobre a regulamentação de Inteligência Artificial (IA), a alta do petróleo e a expectativa por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve impactam os mercados.
  • No Brasil, o Banco Central deve reduzir a taxa Selic, enquanto pesquisas eleitorais geram volatilidade e o noticiário político se intensifica.

Pressões internacionais afetam bolsas globais

A grande questão no exterior reside na reação do mercado após líderes da OpenAI e da Anthropic defenderem uma desaceleração no desenvolvimento da tecnologia de Inteligência Artificial para gerenciar os riscos e proteger a humanidade.

As negociações relacionadas à IA impulsionaram grande parte dos ganhos no mercado acionário global desde o lançamento do ChatGPT pela OpenAI em 2022. Contudo, ataques cibernéticos por agentes de IA rebeldes e o descontentamento público com a construção de centros de dados aumentaram a oposição ao desenvolvimento do setor.

No Japão, a fabricante de chips de memória Kioxia despencou 9,8% inicialmente, e a empresa da cadeia de suprimentos de chips Tokyo Electron registrou queda de 3,7%. O Nasdaq futuro caía mais de 1%, refletindo a apreensão.

Soma-se a isso as preocupações com a inflação em meio à alta do petróleo. O conflito no Oriente Médio se estende e ganha novos contornos, levando os investidores a buscar ativos mais seguros, como o dólar. O petróleo Brent voltou a se aproximar dos US$ 110 o barril, reforçando as pressões inflacionárias globais.

Qual o cenário para os bancos centrais?

Neste cenário de incertezas e inflação persistente, a expectativa é de que o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, aumente sua taxa de juros na próxima quarta-feira e realize pelo menos mais um ajuste até o final de março.

O Fed anunciará sua decisão de política monetária às 15h (horário de Brasília) de quarta-feira, após dois dias de reuniões. Os mercados financeiros apostam fortemente que as autoridades elevarão a taxa de referência em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4,00%, sinalizando novo aperto monetário adiante.

Já no Brasil, a projeção é de que o Banco Central reduzirá a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual pela quinta vez consecutiva na quarta-feira. Esta medida, segundo pesquisa da Reuters com economistas, ocorre em meio a uma moderação na inflação que oferece margem de manobra limitada. A 14,00%, a Selic é uma das taxas de juros mais altas do mundo entre as principais economias.

O Comitê de Política Monetária (Copom) também deverá continuar enfatizando uma postura restritiva diante das persistentes pressões inflacionárias, mesmo com o alívio recente. Analistas estarão atentos à forma como o Banco Central descreve a atual desaceleração econômica ao avaliar as expectativas de mais afrouxamento monetário após a eleição presidencial de outubro. A previsão é de que o Copom reduza a taxa básica de juros Selic em 0,25 ponto percentual no dia 16 de setembro, de 14,00% para 13,75%, conforme 48 dos 51 economistas consultados entre 8 e 14 de setembro.

Cenário político intensifica tensões domésticas

Contudo, o noticiário político-eleitoral é o grande destaque doméstico. Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente Edson Fachin chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O caso irá a julgamento no plenário da corte na próxima terça-feira.

Edson Fachin também marcou o julgamento sobre a conduta do ministro André Mendonça como relator do caso do Banco Master na corte para o dia 23. Por sua vez, o ministro Flávio Dino retirou o sigilo das investigações que apuram se houve desvio de emendas parlamentares para a realização do filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Enquanto isso, o mercado repercute as diversas pesquisas eleitorais. A mais recente, a Quaest/O Globo, divulgada depois da abertura desta segunda-feira, mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem dois pontos percentuais de vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno entre ambos, ainda em cenário de empate técnico.

De acordo com o levantamento, Flávio Bolsonaro aparece com 42%, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva soma 40%. Na pesquisa anterior, divulgada há uma semana, ambos estavam empatados numericamente com 41%. Como a margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, os dois permanecem em empate técnico.

A pesquisa Quaest mostrou ainda que Luiz Inácio Lula da Silva mantém a liderança na simulação de primeiro turno, mas com uma vantagem menor. Ele manteve os 36% da pesquisa anterior, ao passo que Flávio Bolsonaro tem agora 31%, ante 29%. Augusto Cury (Avante) aparece com 7%, ante 8%, e nenhum outro candidato ultrapassa a marca de 4%. A Quaest ouviu 2.003 pessoas entre os dias 10 e 13 de setembro. Após a divulgação do levantamento, às 10h15, o Ibovespa chegou a diminuir perdas, mas elas logo foram intensificadas.

Cabe ressaltar que, na sexta-feira, nova pesquisa Datafolha mostrou que a vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno na eleição presidencial de outubro se manteve. Já nesta segunda, levantamento BTG/Nexus apontou que Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno e passou a ter vantagem numérica de um ponto percentual no segundo turno, embora o cenário ainda seja de empate técnico entre ambos.

Em meio a este cenário, apesar da alta do petróleo fazer com que as ações do setor registrem ganhos, outras commodities registram baixa, caso do minério. Isso afeta o setor na Bolsa, com as ações da Vale (VALE3) caindo mais de 2% devido à baixa do minério, conforme as margens de siderúrgicas despencam.

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