05/12/2025 - 19:17
O Ibovespa desabou mais de 4% nesta sexta-feira, na maior queda em um dia desde fevereiro de 2021, em correção desencadeada pelo anúncio de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi escolhido pelo pai para ser candidato a presidente da República em 2026.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 4,31%, a 157.369,36 pontos, após avançar a 165.035,97 na máxima do dia, renovando topo histórico. No pior momento, recuou a 157.006,61 pontos.
Com tal desempenho, a primeira semana de dezembro acabou com queda acumulada de 1,07%, ante acréscimo de mais de 3% até a véspera. No ano, o Ibovespa ainda sobe 30,83%.
A piora na B3 teve como gatilho o noticiário sobre decisão do ex-presidente Jair Bolsonaro de escolher seu filho mais velho para ser o candidato do bolsonarismo à Presidência no ano que vem e se acentuou com a confirmação pelo próprio senador.
+Ibovespa tomba e dólar dispara com Flávio Bolsonaro pré-candidato
+Após pressões, União Europeia aprova novo adiamento de lei antidesmatamento
De acordo com o analista-chefe da Levante Inside Corp, Eduardo Rahal, com a notícia da candidatura de Flávio Bolsonaro, os agentes passam a recalibrar cenários, incorporando maior incerteza política ao balanço de riscos.
“A tendência daqui para frente é de aumento de volatilidade à medida que o mercado ajusta suas expectativas para o ciclo eleitoral”, afirmou.
Na visão do economista Christian Iarussi, sócio da The Hill Capital, a leitura dominante é que esse anúncio esvazia a expectativa, antes bastante presente entre investidores, de que Tarcísio de Freitas poderia se consolidar como uma alternativa competitiva ao atual governo em 2026.
“Sem o apoio explícito de Bolsonaro, a probabilidade de Tarcísio optar pela reeleição em São Paulo aumenta, e isso reduz o campo para uma disputa presidencial equilibrada”, avaliou.
Em pouco mais de quatro anos, o Ibovespa foi palco de momentos que testaram o apetite ao risco dos investidores e escancararam como política, pandemia, fiscal e geopolítica formam a tempestade perfeita em uma economia volátil. Segundo a consultoria Elos Ayta, de fevereiro de 2021 a dezembro de 2025, cinco datas se destacam como os pregões de maior queda diária, cada uma marcada por um choque diferente, mas todas unidas por um elemento comum: incerteza.

22 de fevereiro de 2021, queda de 4,87%
O maior tombo do período se deu quando o Brasil ainda convivia com os reflexos severos da pandemia e incertezas políticas se tornavam corriqueiras no dia a dia do mercado. Naquele mês, a substituição do presidente da Petrobras, decidida pelo governo federal, acendeu alertas sobre interferência política em estatais e provocou fuga de capital estrangeiro. O movimento contaminou todo o Ibovespa e serviu como marco da escalada de desconfiança que se seguiria meses adiante.
05 de dezembro de 2025, queda de 4,31%
Mais recente e emblemática, a queda foi motivada por ruídos políticos de forte impacto. o mercado reagiu negativamente aos rumores envolvendo a possível candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, reacendendo o temor de polarização e de um cenário eleitoral imprevisível. O dólar disparou, as taxas de juros futuras saltaram e o Ibovespa afundou, refletindo a sensibilidade dos ativos brasileiros à menor alteração no radar político e fiscal.
08 de março de 2021, queda de 3,98%
Menos de três semanas após o tombo de fevereiro, nova onda de aversão ao risco se instalou. O Brasil vivia o ápice das incertezas sanitárias, com deterioração nas expectativas de crescimento e pressões inflacionárias ainda mal dimensionadas. A escalada da curva de juros e ruídos institucionais contribuíram para o clima adverso.
08 de setembro de 2021, queda de 3,78%
Os discursos de tensão institucional marcaram a data. Em meio às manifestações e declarações públicas que ampliaram a percepção de conflito entre os poderes, o mercado reagiu com cautela extrema. A possibilidade de ruptura institucional, mesmo que remota, é sempre um sinal vermelho para o capital global.
26 de novembro de 2021, queda de 3,39%
No cenário internacional, a notícia da variante Ômicron trouxe de volta o fantasma dos lockdowns. As bolsas globais derreteram com o temor de desaceleração econômica e impacto no comércio mundial. O Ibovespa acompanhou o movimento, especialmente pressionado por empresas ligadas ao ciclo econômico e commodities.
Um fio condutor: a imprevisibilidade
O que une todas essas datas, tão distintas em origem e contexto, é a essência de um mercado que opera à base de confiança. Quando política, saúde e geopolítica colocam essa confiança em xeque, o preço aparece nos gráficos.
Seja por interferência estatal, pandemia, tensão institucional ou rumor eleitoral, os episódios mostram que o Ibovespa cai menos pelo fato concreto e mais pela dúvida sobre o que vem depois, e essa, como se sabe, é a variável mais cara de todas.
