O Ibovespa operava em queda na tarde desta sexta-feira, 5, após uma semana em que bateu diversos recordes, cruzando pela primeira vez a barreira dos 162 mil, 163 mil e 164 mil pontos.

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Por volta das 15h46, o principal índice da bolsa de valores brasileira registrava queda de 3,31%, negociado a 159.016,72 pontos. Já o dólar registrava alta de 2,56%, com preço de R$ 5,455 na venda. Veja cotações.

Mais cedo, o indicador de ações da bolsa brasileira chegou a renovar máximas, quase encostando nos 165 mil pontos. Às 12h44, registrou 164.998,47.

“Caminhamos não apenas para um rali de fim de ano, mas também de início de 2026”, analisa a equipe de Equity Research do Itaú BBA. Na visão do analista Fabio Perina, a bolsa ainda deverá se encaminhar para os 180 mil pontos.

Ibovespa e as eleições

Analistas do mercado financeiro apontam que o forte movimento de correção da bolsa de valores ocorre de olho na disputa presidencial de 2026. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, confirmou que Flavio Bolsonaro lhe comunicou que o ex-presidente o escolheu como candidato para disputar a eleição presidencial.

De acordo com o especialista em renda variável da Manchester Investimentos Rubens Cittadin Neto, a notícia parece ter sido muito mal vista pelo mercado porque divide a oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“O mercado é apolítico, o que ele precifica é taxa de juros e o quanto isso afeta os ativos de risco. Hoje, o juro restritivo de 15% se deve ao fiscal mais expansionista. E a expectativa é a de que a oposição traga um fiscal com mais austeridade”, afirmou Cittadin Neto. “Então, quando ocorre um movimento que divide a oposição, e enfraquece o lado político que pode trazer a austeridade fiscal, o mercado acaba precificando muito mal.”

O estrategista-chefe da Davos Investimentos, Ricardo Pompermaier, concorda que a virada na direção da bolsa pode ter relação com movimentações na direita brasileira. “Os mercados acabaram piorando depois da sinalização de que Flávio Bolsonaro deve ser o nome escolhido pelo bolsonarismo para a disputa eleitoral”, diz. “A leitura é de que o processo eleitoral pode ficar ainda mais polarizado e com menos clareza sobre a trajetória fiscal e o compromisso com reformas, o que naturalmente deixa o investidor mais defensivo no curto prazo.”

*Com informações da Reuters