O Ibovespa fechou em alta de mais de 1% nesta segunda-feira, 22, recuperando o patamar dos 170 mil pontos, enquanto o dólar caiu em baixa ante o real, em sessão que contou com duas operações cambiais simultâneas do Banco Central.

Índice de referência do mercado acionário brasil, o Ibovespa subiu 1,21%, a 170.370,38 pontos, com bancos entre os principais suportes, após marcar 170.749,76 pontos na máxima e 168.326,26 pontos na mínima do dia.

+ Mercado eleva de novo projeção para a inflação e vê só mais um corte na Selic

Entre os destaques do dia, as ações da Azzas 2154 saltaram mais de 10% após a companhia confirmar que avalia alternativa para a marca Farm, com o objetivo de destravar valor dessa marca. “Por anos, a Farm Rio tem sido ao mesmo tempo um dos maiores pontos fortes e um enigma de valuation dentro do Grupo Soma e, posteriormente, da Azzas. A marca apresentou consistentemente crescimento superior, maior rentabilidade e maior relevância internacional do que a maioria dos ativos do portfólio”, afirmou o BTG, em relatório a clientes.

A bolsa paulista descolou de Wall Street, que teve um fechamento mais fraco, pressionado pelo setor de tecnologia. O índice Nasdaq caiu 1,33% e o S&P 500 recuou 0,37%, enquanto o Dow Jones subiu 0,29%.

O petróleo Brent fechou com queda de US$ 2,67, ou 3,31%, a US$ 77,90 o barril. Os futuros do petróleo West Texas Intermediate dos EUA fecharam a US$74,82 o barril, uma queda de US$ 1,78, ou 2,32%.

Atuação do BC no mercado de câmbio

O dólar à vista fechou o dia com queda de 0,45%, aos R$ 5,1413. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,33% ante o real. Veja cotações.

No Brasil, destaque para os dois leilões simultâneos realizados pelo Banco Central no início da sessão, em que foram vendidos US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso — uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

O BC realizou duas operações simultâneas são conhecidas como “casadão” pelos investidores e visam oferecer liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou US$ 1 bilhão em outra.

“Nossos modelos de previsão econométrica para o câmbio capturaram a mudança no humor em relação aos ativos brasileiros, com o BRL (real) sendo visto no patamar R$5,16, entre R$5,06 e R$5,25 (por dólar)”, afirmou Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, em relatório publicado pela manhã. “O casadão de hoje deve aliviar um pouco a pressão, mas o ambiente segue adverso para o risco Brasil”, acrescentou.

No fim da manhã, o BC fez uma terceira operação, na qual vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.

No setor externo, os EUA e o Irã concordaram, conforme os mediadores Catar e Paquistão, com um roteiro para um acordo final que ponha fim ao conflito em até 60 dias. Ainda assim, investidores se mostravam preocupados com as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, de retomada da guerra e com o anúncio de que Teerã havia fechado novamente o Estreito de Ormuz.

No fim da tarde, com o mercado à vista já fechado, Trump afirmou que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto.

Neste cenário, o dólar sustentou ganhos ante divisas fortes como o euro e o iene, mas recuou ante a libra. Em relação aos países emergentes, o dólar caiu ante o peso colombiano e o real — neste caso, após os fortes avanços da semana passada –, mas a moeda dos EUA se manteve em alta ante boa parte das demais divisas.