23/06/2026 - 19:02
O Ibovespa fechou em alta nesta terça-feira, 23, em sessão marcada pela divulgação da ata da última decisão de política monetária do Banco Central, enquanto o dólar encerrou o dia em alta, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante quase todas as demais divisas no exterior.
+ BC indica em ata que combinará momentos de pausa e retomada do ciclo de cortes da Selic
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 0,52%, a 171.258,87 pontos, após recuar a 168.495,17 pontos na mínima do dia mais cedo. Na máxima, chegou a 171.720,29 pontos.
O dólar à vista encerrou o dia com alta de 0,87%, aos R$ 5,1859, o maior valor de fechamento desde 30 de março deste ano. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,52% ante o real.
A bolsa paulista abriu pressionada pelo viés negativo em praças acionárias no exterior, que refletiam perdas no setor de tecnologia, em meio a receios envolvendo investimentos em inteligência artificial financiados por dívidas.
O Ibovespa, porém, descolou do movimento no mercado internacional, onde o norte-americano S&P 500 fechou em baixa de 1,44%, replicando o tom dos pregões na Europa e Ásia.
Os contratos futuros do petróleo Brent fecharam com queda de 1,1%, a US$ 77,08 por barril, enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA encerraram com queda de 0,9%, a US$ 73,21 por barril. Ambos os índices de referência atingiram mínimas próximas a quatro meses durante o pregão desta terça-feira.
Copom e diferencial de juros com os EUA
A sessão na B3 também foi marcada pela repercussão da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) da semana passada, quando a Selic foi reduzida para 14,25% ao ano.
No documento, o BC indicou que combinará momentos de pausa e retomada no ciclo de cortes da taxa Selic para levar a inflação à meta de 3% no primeiro trimestre de 2028, um prazo mais longo do que o usual.
Na visão da equipe econômica do C6 Bank, a ata sugere a possibilidade de uma pausa na próxima reunião e retomada do ciclo de ajustes mais à frente. “Na nossa visão, a inflação elevada, as expectativas de inflação acima da meta e o mercado de trabalho aquecido tornam cada vez mais difícil justificar novos cortes de juros”, afirmaram em relatório a clientes.
Assim, enquanto o Federal Reserve tem sinalizado a possibilidade de juros mais elevados nos EUA, o BC preparou o terreno para possíveis novos cortes, indicando que há poucas chances de elevações da Selic.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países — como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores — vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses. Agora, este diferencial tende a cair.
