O Ibovespa registra alta de 1,07%, alcançando 185.781 pontos, nesta quarta-feira (30), último dia de setembro. A valorização ocorre em um cenário de otimismo cauteloso no mercado financeiro global, impulsionado por dados de inflação nos Estados Unidos abaixo do esperado, que trazem alívio quanto a um possível aperto monetário.

O que aconteceu

  • O Ibovespa sobe 1,07% no último pregão de setembro, acumulando alta superior a 3% no mês.
  • A inflação nos Estados Unidos, medida pelo PCE, veio abaixo das expectativas, reduzindo a pressão por novos aumentos de juros.
  • No Brasil, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 10,012 bilhões em agosto, mantendo as contas públicas sob escrutínio.

Conforme destaca Gustavo Assis, CEO da Asset, o Ibovespa chega ao último pregão de setembro acumulando alta superior a 3% no mês. Este período foi marcado por importantes mudanças na percepção dos investidores sobre juros, inflação e risco global. No exterior, o dado de inflação divulgado hoje nos Estados Unidos trouxe algum alívio nesta quarta-feira. O Índice de Preços para Consumo Pessoal (PCE) veio abaixo das expectativas no mês, reduzindo parte da pressão por um novo aperto monetário mais imediato.

Ainda assim, a inflação americana permanece acima da meta do Federal Reserve (Fed), e os juros dos títulos do Tesouro (Treasuries) seguem em níveis elevados. Portanto, o ambiente internacional continua exigindo cautela, principalmente para mercados emergentes como o Brasil, avalia Assis.

Política monetária em debate

Para Otávio Araújo, consultor sênior da ZERO Markets Brasil, o dado de inflação oferece algum alívio às expectativas de juros, mas não encerra o debate sobre a política monetária. A terceira leitura do produto interno bruto (PIB) dos Estados Unidos mostrou crescimento anualizado de 2,2% no segundo trimestre, acima da estimativa anterior de 1,5%. Além disso, o levantamento da ADP apontou a criação de 90 mil vagas privadas em setembro, após 36 mil em agosto.

Essa combinação de inflação mais fraca com atividade e emprego resistentes pode provocar novas oscilações nas taxas dos títulos públicos norte-americanos e também nas bolsas locais e mundiais, avalia Araújo.

Déficit fiscal preocupa investidores no Brasil?

No Brasil, o setor público consolidado registrou um déficit primário de R$ 10,012 bilhões em agosto. Em doze meses, o resultado negativo chegou a R$ 82,077 bilhões, ou 0,62% do produto interno bruto. A dívida bruta atingiu 82,9% da economia.

Para o analista, embora o déficit mensal tenha sido menor que o observado em agosto do ano passado, o nível da dívida mantém as contas públicas no centro da avaliação dos investidores sobre os juros futuros. Ao mesmo tempo, os sinais de expansão da indústria chinesa favorecem a leitura para empresas ligadas a matérias-primas, enquanto o petróleo Brent em trajetória decrescente ajuda a conter, por ora, parte da pressão inflacionária internacional.

No câmbio, o dólar perdeu força diante do real após a divulgação da inflação norte-americana abaixo das expectativas, mas o movimento ainda exige cautela. A atividade econômica e a criação de empregos nos Estados Unidos vieram mais fortes, o que pode limitar uma queda mais firme dos juros por lá. No Brasil, o resultado fiscal e a proximidade das eleições também pesam nas decisões dos investidores hoje.

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