A Bovespa não se sustentou no patamar de 50 mil pontos reconquistado na véspera, como esperado, e voltou a fechar em baixa nesta quinta-feira, 30. Os dados fortes da economia norte-americana, a alta de juros no Brasil e a fuga dos estrangeiros geraram um movimento vendedor que assolou diversas ações, sobretudo as blue chips.

O Ibovespa terminou a sessão em baixa de 0,69%, aos 49.897,40 pontos. Na mínima, bateu em 49.612 pontos (-1,26%) e, na máxima, 50.645 pontos (+0,80%). No mês, acumula perda de 6% e, no ano, de 0,22%. O giro financeiro totalizou R$ 5,847 bilhões.

A Bovespa passou a cair depois que Wall Street começou a operar e assim ficou durante o restante do pregão. No começo da tarde, o índice chegou a melhorar um pouco, em sintonia com a recuperação das bolsas norte-americanas, mas não chegou a virar em alguns momentos da tarde, como aconteceu por lá.

Em Wall Street, os investidores passaram a observar, à tarde, os bons resultados de balanço, deixando de lado os indicadores da economia. Embora os dados tenham sido favoráveis, eles voltaram a agregar força às expectativas de que o início de aperto monetário no país poderá ocorrer em setembro. Essa hipótese havia perdido espaço após o ‘statement’ do Fed, na véspera.

O núcleo do índice PCE ficou em 1,8% no segundo trimestre, se aproximando da meta perseguida pelo Fed, de 2%, para dar início ao aperto monetário. Já o PIB cresceu 2,3% no segundo trimestre, ligeiramente abaixo dos 2,7% previstos, mas o resultado do primeiro trimestre foi revisado para crescimento de 0,6%, ante contração de 0,2% divulgada anteriormente.

O Dow Jones recuou 0,03%, aos 17.745,98 pontos, o S&P ficou estável em 2.108,63 pontos, e o Nasdaq avançou 0,33%, aos 5.128,79 pontos.

A alta dos juros nos EUA não é favorável ao Brasil e à bolsa brasileira, que ainda perde competitividade para os juros domésticos, sobretudo após a nova elevação da taxa básica, ontem, para 14,25% ao ano.

Psicologicamente, o aumento dos juros tira a atratividade da Bovespa e isso acabou acontecendo hoje, quando os estrangeiros aproveitaram que o índice tinha reconquistado um pouco de gordura nas duas sessões anteriores, e venderam em patamares um pouco melhores.

Outro dado divulgado ruim foi o governo central, que trouxe déficit de R$ 8,205 bilhões, o pior da história para o mês.

Petrobras terminou hoje em queda de 2,37% na ON e de 2,33% na PN. Mas, no pior momento da sessão, as ações recuaram 4,4%.

Vale exibiu grande volatilidade, ao bater em +7,95% (ON) e +6,22% (PNA), nas máximas, e terminar em baixa de 4,90% e 4,63%, nesta ordem. A queda ocorreu apesar do balanço trimestral da empresa ter agradado, com lucro líquido de R$ 5,144 bilhões de abril a junho.

Bradesco, que também abriu seus números, registrou lucro líquido contábil de R$ 4,473 bilhões no segundo trimestre deste ano, montante 18,4% superior ao mesmo período de 2014. A ação ON caiu 1,30% (R$ 27,23) e a PN, 1,99% (R$ 27,05).