Illinois tornou-se nesta quarta-feira o décimo sexto estado americano a deixar a pena de morte, anunciou a assessoria do governador dessa região do norte dos Estados Unidos, reduto do presidente Barack Obama.

“Para mim, esta foi uma decisão difícil, literalmente a escolha entre a vida e a morte”, afirmou o governador Pat Quinn após assinar a lei.

Quinn, que foi por longo tempo um defensor da pena de morte, afirmou estar certo de que “nosso sistema de impor a pena capital é equivocado” e que não havia nenhuma evidência “crível” de que diminuiria os índices de criminalidade.

“Já que nossa experiência mostrou que não há maneira de desenhar um sistema de pena de morte perfeito, sem cometer equívocos e sem levar a condenações errôneas e tratamento discriminatório, concluí que a melhor ação seria aboli-lo”, disse Quinn em um comunicado.

Illinois ajudou a estimular um debate nacional em 1999 depois que um grupo de estudantes da Universidade de Northwestern provaram que um condenado ao corredor da morte era, na verdade, inocente.

Assim, o então governador George Ryan impôs uma moratória à pena de morte em 2000, depois de quatro condenados terem sido exonerados.

Chamando o sistema judiciário de “profundamente defeituoso”, “arbitrário” e “amaldiçoado pelo demônio do erro”, Ryan diminuiu a sentença de 167 condenados à morte para prisão perpétua em 2003.

Desde então, 15 pessoas foram condenadas à morte em Illinois, mas nenhuma foi executada.

Essas sentenças foram comutadas nesta quinta-feira por Quinn, que levou aproximadamente dois meses para chegar a essa decisão.

O projeto de lei expiraria caso o governador não assinasse a lei até 18 de março.

Illinois realizou 12 execuções desde 1976, quando a Suprema Corte reinstalou a pena de morte, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte.

No mesmo período, 20 condenados foram exonerados pelo Estado, o segundo maior número nos Estados Unidos.

Em torno de 138 pessoas condenadas à pena de morte foram eximidas de culpa nos Estados Unidos após serem apresentadas provas de sua inocência desde 1973, de acordo com o Centro de Informações sobre Pena de Morte.

No entanto, o apoio à pena de morte continua relativamente alto.

Sessenta e quatro por cento dos americanos dizem ser a favor da pena de morte para pessoas condenadas por assassinato, enquanto 29% opõem-se a isso, de acordo com uma pesquisa anual do Instituto Gallup.

Um total de 1.242 pessoas, incluindo 12 mulheres, foram executadas nos Estados Unidos desde que a pena capital foi reinstalada no país, em 1976.

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