07/05/2003 - 7:00
Bons ventos sopram a favor dos fundos imobiliários. A aplicação financeira, que já oferece rentabilidade satisfatória entre 1% e 1,7% ao mês, ganhou um forte aliado para enfrentar o seu principal inimigo: a falta de liquidez. Tudo indica que, agora, os investimentos lastreados em imóveis encontraram, enfim, o lugar certo para negociar suas cotas: o ambiente de negócios da Sociedade Operadora do Mercado de Ativos (Soma), pregão eletrônico de acesso à Bovespa conhecido como mercado de balcão. No final de abril, o fundo imobiliário Almirante Barroso (atrelado a um edifício comercial no centro do Rio de Janeiro), da Caixa Econômica Federal, inaugurou a participação dessas aplicações na Soma e teve sucesso absoluto. Movimentou R$ 1,14 milhão. Conquistou cerca de 5 mil cotistas. Registrou uma média de investimento inicial de R$ 18 mil . A proeza foi realizada em apenas 15 dias. A julgar pelo êxito do lançamento, pode se esperar que novos fundos sigam o mesmo caminho. É o caso de, pelo menos, quatro fundos: Shopping Pátio Higienópolis, Fashion Mall, Rio Atlântica e Torre Norte.
O fundo Pátio Higienópolis (proprietário de 25% do shopping na
capital paulista), administrado pela Rio Bravo, depende apenas da aprovação dos cotistas para chegar ao mercado de balcão. Será uma ótima oportunidade, acreditam os analistas, para os novos investidores aplicarem em cotas do Higienópolis. Afinal, o ganho previsto é de 14% ao ano. E quem quiser, no futuro, vender a participação, não deverá ter dificuldades para encontrar um comprador. Vale lembrar ainda que, pela legislação brasileira, os fundos imobiliários são obrigados a distribuir, no mínimo, 95% de seus rendimentos líquidos aos cotistas semestralmente.
Outro candidato ao pregão eletrônico é o fundo Torre Norte (dono de 100% de um edifício na zona sul de São Paulo). O administrador da aplicação, a Ourinveste, depende apenas de uma oferta pública do fundo de pensionistas da Caixa Econômica (detentora de 83% das cotas), prevista para ser realizada ainda este mês. Na lista de espera para o embarque na Soma também estão os fundos Rio Atlântica e Fashion Mall (que detém, respectivamente, 49% do hotel e 25% do shopping homônimos no Rio de Janeiro). Segundo Rodrigo Machado, diretor da administradora Brazilian Mortgages, responsável pelas duas aplicações, eles devem estar no pregão até julho. ?A estratégia do fundo da Caixa está impulsionando todo o mercado?, diz Sérgio Belleza Filho, consultor da corretora Coinvalores.
Pela previsão de Romeu Pasquantonio, diretor da Soma, do total
dos 61 fundos imobiliários registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que totalizam um patrimônio de R$ 2 bilhões,
cerca de 25 deles têm os pré-requisitos básicos para vender cotas
no pregão: volume de negócios e número significativo de acionistas. Pelas suas contas, esse seleto grupo possui um patrimônio de R$ 1,5 bilhão. Ou seja, domina a indústria de aplicações financeiras lastreadas em imóveis.
O grande volume de recursos concentrados num mercado organizado deverá tornar o negócio bem mais atrativo. ?Antes, o investidor só podia tentar revendar as cotas por meio de corretoras imobiliárias. Agora, as transações terão mais credibilidade?, diz Pasquatônio. ?Afinal, no balcão organizado, as operações são mais transparentes. É preciso publicar balanços e prestar contas com freqüência.? Porém, toda essa boa perspectiva pode ser freada por um entrave legal. Pelo regulamento da CVM, os fundos já constituídos precisam da aprovação da chamada maioria simples (a metade mais um) dos cotistas para serem oferecidos na Soma.