As negociações entre as grandes potências e o Irã patinavam na segunda-feira em questões “decisivas”, apesar da presença, em Viena, de todos os chefes da diplomacia, e podem se estender para além do vencimento, inicialmente previsto para terça-feira.

A Casa Branca não excluiu que os diálogos se estendam para além de 7 de julho, data-limite estabelecida pelos negociadores, após terem ultrapassado o prazo anteriormente fixado em 30 de junho.

“Eu diria que é totalmente possível”, declarou Josh Earnest, porta-voz do presidente americano, Barack Obama.

Um oficial iraniano também não excluiu uma extensão das negociações, até mesmo depois de 9 de julho, quando um acordo deveria ser apresentado ao Congresso americano para exercer seu “direito de vigilância”. Para além desta data, o início da entrada em vigor de um acordo levaria, no mínimo, dois meses.

Apesar da presença de todos os chefes da diplomacia do grupo 5+1 (EUA, GB, Rússia, China, França e Alemanha), além do Irã, em Viena nesta segunda-feira, nenhuma saída parece iminente.

O cenário de um “fracasso” não pode ser excluído, admitiu uma fonte diplomática alemã, ao pronunciar uma palavra considerada quase um tabu.

“Ainda não chegamos lá. Não devemos subestimar o fato de que questões importantes não foram solucionadas. Se não houver movimentos referentes a estas questões decisivas, um fracasso não pode ser excluído”, disse a fonte.

As grandes potências e o Irã tentam solucionar um dos contenciosos mais penosos das relações internacionais na última década. O objetivo do acordo almejado é colocar o programa nuclear iraniano sob um controle estrito, em troca da suspensão das sanções à economia iraniana.

O programa nuclear iraniano foi descoberto no começo dos anos 2000 e os diálogos começaram em 2003 entre os europeus e o Irã para tentar desmontar as contendas, em vão.

As negociações foram realmente retomadas após encontros secretos, a partir de 2012, entre diplomatas americanos e iranianos, e sobretudo após a chegada ao poder do presidente iraniano, Hassan Rohani, eleito em 2013 com a promessa de acabar com as sanções internacionais.

Estes diálogos levaram a um acordo-quadro em 2 de abril, em Lausanne, que deveria servir para a montagem do texto final, atualmente em discussão em Viena.

As negociações visam aos mesmos pontos-chave depois de meses, essencialmente a questão das sanções. Teerã quer uma suspensão substancial e rápida das sanções, sobretudo aquelas adotadas após 2006 pelo Conselho de Segurança da ONU.

O grupo 5+1, por sua vez, insiste em um processo progressivo e reversível, caso Teerã não cumpra com seus compromissos.

“Sobre certas questões, as linhas vermelhas de cada parte são muito próximas e, para outros, sempre há problemas”, declarou um oficial iraniano pedindo para ter sua identidade preservada, destacando que toda negociação se baseou no “todos têm que ceder”.

Cabe aos ministros fazer “as últimas escolhas difíceis”, assegurou, enquanto especialistas e diplomatas trabalharam impiedosamente nos últimos dias para tentar reparar aquilo que está em seu nível.

Paralelamente às negociações em Viena, uma delegação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que será levada a desempenhar um papel maior em caso de acordo, teve nesta segunda-feira “discussões intensivas” com o Irã.

Encarregados da agência estão em Teerã, alguns dias após uma visita à capital iraniana de seu diretor-geral, Yukiya Amano.

A AIEA quer se informar sobre uma possível dimensão militar do programa nuclear iraniano no passado. A agência suspeita que Teerã realizou pesquisas ao menos até 2003 para desenvolver a bomba atômica e tenta ter acesso aos cientistas envolvidos, bem como a documentos e locais que poderiam ter abrigado as pesquisas.

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