O sonho do carro importado embalou muitos consumidores em 2007. De carona em fatores como dólar barato, aumento da renda, financiamentos e leasing a juros mais baixos, eles fizeram a festa das importadoras. Segundo a Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), foram vendidos 234 mil veículos no ano passado. Mas quem aproveitou esse boom paga hoje uma árdua conta: a do seguro. Conforme a seguradora e o modelo, as tarifas para proteger o ?carrão? podem custar mais de 10% do valor do veículo, um dinheiro significativo no caso dos importados mais caros. Muitos compradores fazem as contas e deixam de contratar o seguro. Instalam rastreadores para combater o roubo e deixam aos cuidados da sorte a proteção contra outros tipos de dano. Será que vale a pena arriscar?

O advogado paulistano Marcio Monetti arriscou. Há três anos, adquiriu uma Mercedes-Benz ML 430 e não fez seguro. Como tinha apenas 25 anos na época, sua apólice custaria mais caro que a cobrada de motoristas mais maduros: R$ 11,5 mil por ano, equivalente a 10% do valor do veículo, de R$ 115 mil. ?Preferi investir o dinheiro de outra maneira. Economizei mais de R$ 30 mil?, conta. Ele aplicou o valor do seguro em ações e renda fixa e, depois de três anos, utilizou o dinheiro para comprar um segundo carro. Para se proteger contra o roubo do importado, contratou um rastreador. Já para danos a terceiros, ficou sem proteção. Há alguns meses, sofreu uma batida de um veículo que também não tinha seguro. Por sorte, o motorista culpado assumiu os prejuízos. Monetti diz que continuará sem seguro. ?É um risco que eu corro. Mas compensa, porque sou prudente?, diz.

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Nas grandes metrópoles, a violência faz os custos das apólices alcançarem valores mais altos que nas cidades menores. ?A incidência de roubos afeta diretamente o valor dos seguros?, diz Paulo Umeki, diretor da Liberty Seguros. O problema é que os rastreadores também custam dinheiro (um modelo da Siemens sai por R$ 1.399) e não garantem 100% de segurança. ?A cada dez roubos de veículos rastreados, dois são bem-sucedidos. Os criminosos já estão encontrando formas de desativar o rastreador?, conta Sidney Munhoz, diretor da Chubb. A companhia, voltada para o mercado de seguros de alto padrão, oferece serviços diferenciados para manter os clientes que aceitam pagar caro pelo seguro. Uma parceria com a American Express dá ao segurado descontos em hotéis de luxo ao redor do mundo, entre outros mimos.

 

Nem todos os importados entram no bolo das tarifas altas. Somente os veículos acima de R$ 80 mil ou R$ 100 mil, dependendo da seguradora. Automóveis mais baratos, como o Honda Fit, são tarifados como os nacionais. Cada caso é um caso. ?Tudo depende da marca, do processo de reparação e das peças. Se um automóvel tem um alto valor, é natural que a reparação seja mais trabalhosa e as peças, mais caras?, aponta Carlos Alberto Trindade, vice-presidente da SulAmérica. Ele recomenda o uso combinado do rastreador e do seguro. ?O seguro de um veículo rastreado é mais barato?, conclui. Pesquise, faça as contas e boa sorte ? qualquer que seja sua decisão, você vai precisar dela.