05/04/2011 - 22:59
O artista Ai Weiwei, sobre quem não há notícias desde sua detenção no último fim de semana, pretendia cruzar a “linha vermelha”, afirma um jornal chinês em resposta as pedidos de libertação imediata procedentes do exterior.
O Global Times, que pertence ao Diário do Povo, o jornal oficial do Partido Comunista, afirma que ao reagir desta maneira, os ocidentais “não compreendem a complexidade” do sistema legal chinês e “atacam” o país.
“Ai Weiwei compreende provavelmente que em várias ocasiões se aproximou demais da linha vermelha e é possível que ele goste da sensação”, destaca ao jornal, que menciona “atividades ambíguas a respeito da lei” do artista.
“Se continuar nesta via, provavelmente cruzará a linha vermelha”, completa o Global Times, primeiro veículo de imprensa oficial da China a reconhecer a detenção do militante dos direitos humanos.
O advogado do artista, Liu Xiaoyuan, afirmou nesta quarta-feira que não tem notícias de Ai e que o telefone celular da esposa do artista, Lu Qing, estava indisponível.
Ai Weiwei, de 53 anos, crítico ferrenho do governo chinês e artista famoso em todo o mundo, foi detido no domingo no aeroporto internacional de Pequim quando pretendia embarcar em um voo, informou na segunda-feira à AFP a esposa do artista, Lu Qing.
Estados Unidos, Inglaterra, França e outros países manifestaram preocupação com o paradeiro do artista, que recentemente chamou o regime chinês de “desumano”.
A Anistia Internacional e outras organizações de defesa dos direitos humanos também pediram a libertação de Ai Weiwei.
A detenção do artista de vanguarda aconteceu poucos dias depois dele ter anunciado à AFP a intenção de abrir um estúdio na Alemanha para expor sua obra, exasperado com a pressão na China.
dma-pt/fp