02/08/2016 - 9:36
A inadimplência total do Itaú Unibanco, considerando atrasos acima de 90 dias, encerrou o 2º trimestre em 3,6% ante indicador de 3,5% do trimestre anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o índice teve piora de 0,6 p.p.
No Brasil, o indicador atingiu 4,5% em junho de 2016 e apresentou crescimento de 0,1 p.p. quando comparado com o trimestre anterior, principalmente pelo aumento da inadimplência em micro, pequenas e médias empresas. Em um ano, a alta foi de 0,9 p.p.
A inadimplência da pessoa física foi a 5,9% no segundo trimestre, queda de 0,1 p.p. ante o primeiro, mas aumento de 1,0 p.p. em um ano. A melhora foi possível, segundo o banco, graças à menor inadimplência nas carteiras de cartão de crédito e veículos. Já o calote na grande empresa passou de 1,5% em março para 1,5% em junho enquanto na micro, pequena e média empresa, passou de 5,6% para 6,0%, nesta ordem.
Curto prazo
O índice de inadimplência do Itaú, que considera atrasos entre 15 e 90 dias, foi de 3,3% em março para 3,6% em junho. Em um ano, estava em 3,1%. O banco explica, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que o aumento foi influenciado, principalmente, pelas grandes empresas, cujo indicador passou de 1,5% no primeiro trimestre para 2,3% no segundo.
“Este aumento foi concentrado em apenas um grupo econômico do segmento, que já está com o saldo de crédito 100% provisionado. Desconsiderando-se este caso específico, o indicador de grandes empresas teria sido 1,0% em junho de 2016 e teria apresentado redução de 0,5 p.p. no trimestre”, informa o Itaú.
O banco não menciona o nome do cliente. O Itaú tinha a segunda maior exposição entre os grandes bancos à Sete Brasil, que entrou com pedido de recuperação judicial, conforme documento obtido pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado, com um total de quase US$ 563 milhões (R$ 1,982 bilhão).
Provisões
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDDs) do Itaú encerraram junho em R$ 6,337 bilhões, cifra 19,0% menor em relação a março, quando ficaram em R$ 7,824 bilhões. Em um ano, quando somaram R$ 5,768 bilhões, aumentou 9,9%. No semestre, esses gastos foram a R$ 11,482 bilhões, alta de 23,3% em um ano.
“A despesa de provisão foi 19,0% menor quando comparada ao trimestre anterior, devido em parte pelas menores despesas de provisão para grupos econômicos específicos”, destaca o Itaú, lembrando que o primeiro semestre de 2016 foi impactado pelo reforço do provisionamento para grupos econômicos específicos, em função do cenário econômico “desafiador”.
O resultado de créditos de liquidação duvidosa do Itaú foi a R$ 5,365 bilhões no segundo trimestre, queda de 23,1% sobre o primeiro trimestre e aumento de 16,5% em relação ao segundo trimestre de 2015. De janeiro a junho, totalizou R$ 12,338 bilhões, alta de 33,6% em relação ao mesmo período do ano passado.
O saldo de PDDs do banco alcançou R$ 38,470 bilhões de abril a junho, aumento de 29,11% em um ano, quando estava em R$ 29,796 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, quando estava em R$ 38,241 bilhões, cresceu 0,60%.
Índice de Basileia
O índice de Basileia do Itaú Unibanco encerrou o segundo trimestre em 18,1%, considerando os números do CorpBanca. O indicador fechou acima do registrado no trimestre anterior e que não considera o efeito da incorporação do banco chileno, de 17,7%, e do visto em um ano, de 17,2%. O Basileia mede quanto o banco pode emprestar sem comprometer o seu capital.
Da Basileia total no segundo trimestre, o índice de capital nível 1, de melhor qualidade e que considera o principal mais o complementar, representou 14,9%, acima do indicador registrado no primeiro trimestre, de 14,3% e o registrado um ano antes, de 13,2%. Já o indicador de nível 2 foi a 3,2% ante 3,4% e 4,0%, nesta ordem.
O Itaú informa ainda, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, caso fossem aplicadas de imediato e integralmente as regras de Basileia III estabelecidas pelo Banco Cnetral, o índice de capital principal (Common Equity Tier I) seria de 14,1% em 30 de junho de 2016, considerando o consumo do crédito tributário, ante 14,8% sem a mitigação de Basileia III.