O índice Dow Jones caiu nesta sexta-feira ao nível mais baixo do ano em Wall Street, ao perder mais de 3% devido a temores sobre a economia mundial.

O Dow Jones Industrial Average sofreu a pior baixa em uma única sessão, ao perder 3,12% ou 530,90 pontos, a 16.459,75, segundo números definitivos.

O Dow Jones não alcançava um índice tão baixo no fechamento desde outubro de 2014.

O índice tecnológico Nasdaq recuou ainda mais: 3,52% ou 171,45 pontos, para fechar a 4.706,04.

O índice ampliado S&P 500 caiu 3,19% (64,84 pontos), a 1.970,89 unidades.

A debandada em Wall Street se seguiu às registradas nas bolsas de Ásia e Europa, sacudidas pelo temor à estagnação na China e seu impacto inevitável em toda a economia mundial.

“É preciso apertar o cinto”, admitiu David Levy, da Kenjol Capital Management.

“O humor geral deu um giro muito negativo e não há onde se refugiar”, acrescentou.

Os principais índices já tinham perdido mais de 2% na quinta-feira e vários analistas avaliam que Wall Street está realizando um longamente temido reequilíbrio para baixo.

Levy considerou normal que os mercados busquem o equilíbrio, mas destacou: “o que se viu hoje é demais”.

Depois de várias advertências desde o começo do verão boreal, Wall Street agora parece realmente refém da situação na China, a segunda maior economia do mundo, depois da americana.

A Bolsa de Xangai perdeu mais de 30% desde o fim de junho e voltou a cair nesta sexta-feira, depois do anúncio de que o nível de atividade industrial da China é o mais baixo em seis anos.

Os temores relativos à China e, em geral, sobre a economia mundial reativaram a inquietação sobre a possibilidade de que o Federal Reserve (banco central americano) aumente em setembro as taxas de juros e, desta forma, remova um dos incentivos à economia do país.

As taxas americanas estão quase em zero desde o fim de 2008.

“Não sei se é a perspectiva de um fortalecimento monetário do Federal Reserve ou se é um resfriamento da economia mundial”, mas “os investidores tentam se expor menos aos riscos, enquanto os mercados financeiros passaram muito acima com relação à economia real”, comentou Jack Ablin, da BMO Private Bank.

“O mercado foi arrasado ontem (quinta-feira) e não surpreende ver o mesmo hoje”, disse Michael James, da companhia Wedbush Securities.

Desde a quinta-feira, “os administradores de carteiras reduzem sua exposição ao risco com a expectativa de revisar suas posições quando esta negatividade se dissipar”, acrescentou.

Considerado um refúgio em tempos de incertezas, o mercado de obrigações melhorou sutilmente. Por volta das 20H30 GMT (17h30 de Brasília), o rendimento dos bônus do Tesouro com dez anos de prazo caiu a 2,046% contra 2,070% na quinta-feira. Os papéis a 30 anos eram contados a 2,738% contra 2,743% na véspera.