17/01/2015 - 19:38
Um porta-voz do governo da Indonésia confirmou a execução do brasileiro Marco Archer Cardoso, de 53, condenado à morte por tráfico de drogas no país asiático.
A execução aconteceu neste sábado (domingo na Indonésia) e incluiu outros cinco condenados pelo mesmo crime: a indonésia Rani Andriani, a vietnamita Tran Thi Bich Hanh, o nigeriano Daniel Enemuo, o holandês Ang Kiem Soei e o malauiano Namaona Denis.
Todos os presos, que haviam sido condenados à pena capital entre 2000 e 2011, foram executados por fuzilamento logo após a meia-noite do horário local.
“A execução dos seis condenados foi realizada”, informou o porta-voz da Procuradoria-Geral, Tony Spontana, à AFP.
Ele disse que cinco condenados foram mortos na ilha de Nusa Kambangan, ao sul de Java, onde fica o presídio de segurança máxima. A vietnamita foi executada em Boyolali, em Java.
A presidente Dilma Rousseff disse estar “consternada e indignada” com a execução do brasileiro, neste sábado (horário de Brasília), e convocou o embaixador do Brasil nesse país para consultas.
De acordo com a nota divulgada pelo Planalto, “a presidenta Dilma Rousseff tomou conhecimento – consternada e indignada – da execução do brasileiro Marco Archer, ocorrida hoje, às 15:31, horário de Brasília, na Indonésia”.
Em uma última tentativa para evitar a morte do ex-instrutor de voo Marco Archer Cardoso Moreira, Dilma telefonou na sexta-feira para o presidente da Indonésia para lhe pedir, “como chefe de Estado e como mãe”, que interrompesse a execução.
A nota oficial acrescenta que “a presidenta Dilma lamenta profundamente que esse derradeiro pedido, que se seguiu a tantos outros feitos nos últimos anos, não tenha encontrado acolhida por parte do chefe de Estado da Indonésia, tanto no contato telefônico, como na carta enviada, posteriormente, por [Joko] Widodo”.
“O recurso à pena de morte, que a sociedade mundial crescentemente condena, afeta gravemente as relações entre nossos países”, completou o comunicado divulgado após a execução.
Dilma também manifestou suas condolências à família do brasileiro executado.
O carioca Moreira foi condenado em 2004 por entrar no país asiático com mais de 13 quilos de cocaína escondidos nos tubos de uma asa-delta.
O governo indonésio negou os pedidos de clemência feitos pelo Brasil – o último deles, em dezembro de 2014. O gabinete de Dilma chegou a enviar uma carta ao papa Francisco, pedindo sua ajuda no tema.
O também brasileiro Rodrigo Muxfeldt Gularte, de 42, preso há dez anos por entrar com cocaína na Indonésia, deve ser executado em fevereiro.
O diretor de Pesquisa da Anistia Internacional para o Pacífico e o Sudeste Asiático, Rupert Abbott, declarou que essas últimas execuções marcaram “um movimento seriamente regressivo e um dia muito triste”.
Abbott pediu ao governo que cancele os planos para futuras execuções, lembrando que “a nova administração assumiu, apoiando-se em promessas de tornar os direitos humanos uma prioridade”.
Esses foram os primeiros presos mortos no governo do presidente Joko Widodo, que tomou posse em outubro do ano passado. Segundo o governo indonésio, outras 20 execuções estão programadas para este ano.
A legislação indonésia é uma das mais severas em matérias de tráfico de drogas, passível de pena de morte, ou de prisão perpétua. Após assumir, Widodo desapontou os ativistas dos direitos humanos, manifestando forte apoio à pena capital, apesar de sua imagem de reformista.
Widodo adotou uma abordagem especialmente dura com os condenados por narcotráfico que estão no corredor da morte. Ele alega que não receberão o indulto presidencial, porque o país enfrenta uma “emergência” por causa das drogas.