A produção industrial brasileira avançou 0,9% em fevereiro, informa o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Ainda assim, nos últimos 12 meses, houve avanço de 0,3%, abaixo dos 2,6% no mesmo período do ano passado.

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Os avanços ficaram acima das expectativas levantadas em pesquisa da Reuters com economistas. As projeções indicavam alta de 0,7% na variação mensal e queda de 1,0% na base anual.

Em janeiro, a produção teve alta de 2,1% em dado revisado ante o 1,8% informado originalmente pelo IBGE, acumulando nos dois primeiros meses do ano expansão de 3,0%.

“Enquanto janeiro foi caracterizado pela retomada da produção, após um dezembro marcado pela maior frequência de férias coletivas e paralisações técnicas, fevereiro se destaca pelo avanço da produção, possivelmente associado a um processo de recomposição de estoques em diferentes setores industriais”, disse André Macedo, gerente do IBGE.

A indústria brasileira produziu em fevereiro 0,7% menos do que no mesmo mês do ano passado. Com os resultados, a produção está 3,2% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020); mas ainda está 14,1% abaixo do recorde alcançado em maio de 2011.

Para o economista Rafael Perez, da Suno Research, “o desempenho da indústria neste início de ano tem sido marcado por uma recuperação expressiva, refletindo tanto a base de comparação mais baixa herdada do final de 2025”.

“O ambiente ainda segue desafiador para a indústria, em meio a taxas de juros elevadas, condições de crédito restritivas e perda de fôlego da atividade econômica. Ainda assim, a recente redução dos custos de produção e as medidas de estímulo ao consumo têm oferecido um impulso adicional ao setor, embora esse efeito deva perder força ao longo do ano”, conclui Perez.

O setor vem enfrentando há tempos um cenário difícil, principalmente com o nível elevado da taxa básica de juros, que restringe o crédito, e analistas não preveem uma grande retomada. No mês passado, o BC reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, a 14,75%, mas pregou cautela diante da guerra no Oriente Médio.

Destaques da indústria no mês

Bens de capital (2,3%) tiveram a expansão mais elevada no mês na comparação com janeiro, e marcaram a segunda taxa positiva consecutiva. Os setores produtores de bens intermediários (1,1%), bens de consumo duráveis (0,9%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,7%) também mostraram crescimento.

As influências positivas mais importantes foram assinaladas por veículos automotores, reboques e carrocerias (6,6%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (2,5%).

Outras contribuições positivas relevantes sobre o total da indústria vieram de móveis (7,2%), máquinas e equipamentos (6,8%), produtos têxteis (4,4%), manutenção, reparação e instalação de máquinas e equipamentos (3,4%), bebidas (3,4%) e equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (3,1%).

Já pelo lado dos recuos, produtos farmoquímicos e farmacêuticos (-5,5%) exerceu a principal influência na média. O IBGE destaca ainda os impactos negativos para o dado da Industria assinalados pelos setores de produtos químicos (-1,3%) e de metalurgia (-1,7%).

(*com informações da Reuters)