02/04/2003 - 7:00
A ação militar contra o Iraque já tem efeitos explosivos no mundo corporativo americano. A percepção de que a guerra será longa fez soar o ?sinal de alerta? em Wall Street. Na segunda-feira 24, a bolsa caiu 3,61%. A queda foi puxada por companhias aéreas, hotéis e seguradoras. ?A aviação pagará a maior parte dessa conta?, disse à DINHEIRO Robert Booth, presidente da consultoria Aviation Group LLC. A perda com o cancelamento de vôos e o aumento de custos, como combustível, pode somar US$ 10 bilhões. Por isso, American Airlines, United e Delta reduzirão em 20% os vôos. E demitirão uns 70 mil trabalhadores. A direção da United fala até em falência. Mesmo pressionado, o governo americano só quer gastar US$ 1 bilhão em subsídios à aviação. O setor pedia um auxílio de US$ 9 bilhões.
Com aviões vazios, os hotéis terão menos hóspedes. Estudo da PriceWaterhouseCoopers indica que a retração no turismo emagrecerá em 1,5% o faturamento dos hotéis nos EUA, que atingiu US$ 103,6 bilhões em 2002. O cenário de incertezas fez com que a cadeia Starwood Hotels & Resorts ? a maior do planeta com 766 hotéis e resorts, dona da marca Sheraton ? suspendesse a divulgação da previsão de receitas para o semestre. A decisão foi mal recebida em Nova York, onde seus papéis desabaram 10,04% na última semana. Só as seguradoras agiram rápido. A AIG reservou US$ 1,8 bilhão para atender a um possível aumento nos pedidos de indenização. Outras seguradoras reajustaram em 10 vezes o valor da apólice de navios que transitam pelo Golfo Pérsico. Todas essas medidas, no entanto, são tomadas no escuro. Não existe, um levantamento sobre o custo decorrente da guerra do Iraque. Mas é fácil imaginar que será uma quantia ?salgada? se levarmos em conta que apenas a tragédia do World Trade Center exigiu um desembolso de US$ 50 bilhões.