10/04/2026 - 9:17
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, acelerou para 0,88% em março, ante taxa de 0,70% registrada em fevereiro, informou nesta sexta-feira, 10, o IBGE.
Em 12 meses, o índice saltou para 4,14%, acima dos 3,81% observados nos 12 meses imediatamente anterior, quando o IPCA ficou abaixo de 4% pela primeira vez na janela de um ano desde maio de 2024. Veja aqui o detalhamento.
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O resultado veio acima do esperado. Pesquisa da Reuters apontou que a expectativa de analistas era de alta de 0,77% em março, acumulando em 12 meses alta de 4%.
A inflação de março foi a mais alta desde fevereiro de 2025, quando havia subido 1,31%. Considerando apenas meses de março, a taxa foi a mais elevada desde 2022, quando foi de 1,62%.
Reflexos da guerra e disparada do petróleo
A alta no mês de março foi puxada pelos preços dos grupos Transportes e Alimentação e bebidas que, juntos, responderam por 76% do IPCA de março, refletindo o efeito das incertezas no cenário internacional em meio ao conflito do Oriente Médio e disparada do preço do petróleo.
Nos Transportes, a alta mais relevante foi a da gasolina (4,59%), com impacto de 0,23 pontos percentuais na inflação do mês. Outras altas ocorreram em passagem aérea (6,08%) e diesel (13,90%), embora com menos impacto, devido aos menores pesos desses subitens no índice geral.
Entre os alimentos, as principais pressões foram nos preços do leite longa vida (11,74%) e tomate (20,31%).
Para Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa, “no grupo alimentação, em especial na alimentação em casa, a aceleração no nível de preços foi mais evidente, com a alta de 1,94%, a maior desde abril de 2022 (2,59%), combinando efeitos de redução de oferta de alguns produtos com altas do frete, em decorrência dos combustíveis mais caros”.
Meta de inflação e expectativas
O centro da meta oficial para a inflação é de 3%, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos
Segundo o último boletim Focus do Banco Central, a previsão para o IPCA ao final de 2026 subiu de 4,31% para 4,36%. Antes do início da guerra, os analistas projetavam inflação abaixo de 4% neste ano.
“Embora a inflação tenha superado as expectativas em intensidade e composição, entendemos que o resultado deve ser analisado com cautela, dado o peso do conflito internacional. Preliminarmente nossa projeção para o IPCA de 2026 se elevou de 4,7% para 4,8%”, avaliou Guilherme Sousa, da Ativa Investimentos.
O C6 Bank passou a projetar de que o IPCA encerrará o ano em 4,8%, acima do intervalo de tolerância da meta, de 4,5%. “No curto prazo, as medidas anunciadas pelo governo, que incluem subsídios e redução de impostos, devem limitar os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação, mas outros impactos sobre os combustíveis e os alimentos ainda podem surgir mais à frente. Além disso, o mercado de trabalho aquecido e a perspectiva de desvalorização do real devem fazer com que os preços voltem a acelerar no segundo semestre”, afirma a economista Claudia Moreno.
