22/05/2002 - 7:00
O aquecimento da economia na região Centro-Oeste do País está deixando a Infraero às voltas com um doce problema. Os galpões para armazenagem de mercadorias no aeroporto internacional de Brasília nunca estiveram tão cheios como agora. O motivo é um programa de incentivos fiscais aplicado pelo governo do Distrito Federal para grandes indústrias farmacêuticas estrangeiras. Com o atrativo de cobrar 7% de ICMS sobre remédios produzidos nos setores industriais da capital do País, o programa vai fazendo com que empresas como a Latasa, a Medley, a Sigma Farma e a União Química adotem Brasília como local para a fabricação de genéricos. O efeito colateral deste processo é o desembarque de grandes quantidades de equipamentos importados, que estão sendo utilizados na construção das linhas de produção das novas indústrias.
?Como reflexo direto do crescimento da economia regional, nosso faturamento no setor de cargas cresceu 200% este ano?, diz o superintendente da Infraero em Brasília, Valseni Braga. Enquanto 822 toneladas de produtos e equipamentos foram desembaraçadas pela Infraero entre janeiro e abril do ano passado, neste ano o volume subiu para 1.652 toneladas. O faturamento da empresa com cargas chegou a R$ 1,8 milhão nos quatro primeiros meses de 2002, exatos 207% a mais que no ano passado. Apenas uma empresa em fase de instalação em Brasília, a Latasa, movimentou nas últimas semanas os terminais da Infraero com 66 caminhões lotados de peças. Outro fator que explica a movimentação acima da média dos terminais da Infraero no aeroporto Juscelino Kubitschek são as importações efetuadas pelo Ministério da Saúde. Na semana passada, uma carga de 21 milhões de preservativos vindos da Índia repousava no principal terminal de carga à espera da tramitação burocrática. Toda movimentação extra levou a Infraero a investir R$ 30 milhões em ampliações no aeroporto.