21/04/2004 - 7:00
Quando Oscarito e Grande Otelo lotavam as salas de projeção do País entre os anos 1930 e 1950 com os tipos hilários das chanchadas, o cinema entrava definitivamente para a vida do brasileiro como um dos mais democráticos meios de diversão ? era um tempo em que a televisão ainda não tinha invadido os lares. Depois, em 1977, Dona Flor e seus dois maridos, inspirado na obra de Jorge Amado e dirigido por Bruno Barreto, começaria uma carreira recordista de 11 milhões de espectadores e impulsionaria as produções brasileiras rumo à liderança do mercado. Agora, a indústria cinematográfica vive uma nova fase áurea, com a reconquista do grande público e o reconhecimento no exterior na cola de diretores como Walter Salles e Fernando Meirelles. De carona nessa trilha de boas notícias, despontam novas oportunidades de negócios. Entre elas, está um inovador sistema de distribuição gratuita de entradas de cinema adotado pelas empresas como estratégia de marketing promocional. A idéia é da Hollywood Movie Magic, companhia americana que atende clientes como American Express, Chevrolet e Disney e chegou este ano ao Brasil.
A iniciativa é do publicitário e empresário Flávio Corrêa, o Faveco, como o chamam os amigos. Segundo ele, o modelo foi muito bem-sucedido no exterior e deverá repetir a performance entre os brasileiros. ?É um brinde que agrada a todo tipo de consumidor?, diz Corrêa. ?Além disso, é fácil de ser veiculado, pode até ser costurado na embalagem dos produtos.? Seu plano de negócios está ancorado na expectativa de que o cinema brasileiro alcance novos recordes de público e vendas nos próximos anos. Em 2003, foram vendidos 102,96 milhões de ingressos no País, volume 17% maior que o registrado em 2002. Atento a esse potencial, o empresário acredita que deverá distribuir 1,5 milhão de cupons no primeiro ano de operação local.
O primeiro contrato da empresa foi fechado com a Agência Anhangüera de Notícias (RAC), o maior grupo de informações do interior do Estado de São Paulo. Ele prevê a distribuição de ingressos para os novos assinantes do jornal Correio Popular. Desde o lançamento da empresa, Corrêa tem sido procurado por companhias de diversos ramos de atividade. Segundo ele, a entrada para o cinema é um prêmio atraente por ter um valor facilmente percebido pelo consumidor ? em São Paulo, o preço médio do ingresso é de R$ 15. O custo, no entanto, não inviabiliza o negócio para o anunciante, que paga pelos ingressos um preço com descontos entre 25% e 80%.
O Brasil será o primeiro país da América do Sul a inaugurar uma filial da Hollywood Movie Magic. O mercado promocional no País representa uma verba de R$ 9,9 bilhões, o que equivale a 43% do total dos investimentos em comunicação e marketing. ?Analisamos o setor durante os últimos dois anos e, nesse período, habilitamos 650 salas de exibição?, diz Corrêa. ?Estamos confiantes. A capacidade vendedora do cinema é imensa e ainda tem muito a ser explorada.? Em outros termos: o filme está apenas começando.