15/10/2015 - 16:26
Um informe de Inteligência da Polícia do Chile, divulgado nesta quinta-feira pelo organismo de Direitos Humanos “Londres 38”, mostra uma estreita relação entre as autoridades da Colônia Dignidade, um antigo encrave alemão no sul do Chile, e a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990).
O relatório de 1.200 páginas expõe o conteúdo de 46.000 arquivos, descobertos em 2000 e 2005. Esse material estava enterrado nos prédios da Colônia Dignidade (350 km ao sul de Santiago) e foi colocado sob sigilo pela Chefia de Inteligência Policial (Jipol, sigla em espanhol) da Polícia Civil.
“Na Colônia Dignidade, fez-se um arquivo de opositores à ditadura, lideranças sindicais dessa época, mas também de agentes da CNI (a Polícia secreta da ditadura) e de autoridades militares e civis da ditadura”, disse a coordenadora executiva de “Londres 38”, María José Pérez.
Nessas listas, aparecem dados do próprio Augusto Pinochet, falecido em 2006, e de Manuel Contreras, chefe da Polícia secreta da ditadura, que morreu em agosto passado. Contreras cumpria condenações de mais de 500 anos por violações dos direitos humanos.
“Os arquivos mostram uma estreita relação entre os líderes da Colônia Dignidade e altos personagens da ditadura”, afirmou Pérez.
Os documentos incluem dados sobre a suposta formação em Inteligência dos colonos alemães, assim como sobre a existência de armamento.
A informação foi entregue por uma “fonte secreta e confiável”, no início deste ano, à organização “Londres 38”, que postou o material em sua página institucional <www.londre38.cl>.
Pérez admitiu que a divulgação desse informe pode causar problemas judiciais para a organização, já que os arquivos se encontravam em sigilo sob a Lei de Inteligência do Chile.
Colônia Dignidade, um prédio de 13.000 hectares fundado em 1961 pelo ex-cabo do Exército nazista Paul Schaefer, foi usada como centro de detenção e tortura pela Dina (a Polícia secreta de Pinochet). A Dina fez fossas comuns e enterrou armamentos, explosivos e insumos químicos.
Também há registro de abusos e estupro de menores, motivo pelo qual os líderes da Colônia Dignidade foram processados.
A ditadura de Pinochet deixou mais de 3.200 mortos e 38.000 torturados, segundo dados oficiais.