11/02/2016 - 9:58
As ações de bancos europeus voltaram a sofrer liquidação nesta manhã em meio à preocupação dos investidores com a lucratividade e a força do balanço patrimonial dessas instituições, bem como com os colchões de capital e a capacidade de elas passarem sem problemas pela volatilidade nos mercados. Balanços trimestrais fracos de empresas do setor divulgados hoje agravaram os temores.
O subíndice de ações bancárias incluído no índice Stoxx Europe 600 opera com queda de cerca de 6%, levando o declínio acumulado neste ano até agora para 28%.
As razões para as quedas são várias, mas analistas destacam o fato de as taxas básicas de juros negativas adotadas por alguns bancos centrais – como o Banco Central Europeu (BCE), o da Suécia, o da Suíça e o do Japão – tornarem difícil para os bancos obter ganhos. “Estamos revisando nossas expectativas para os juros, o que colocará pressão sobre as margens líquidas de juros” dos bancos, afirmou Bo Christensen, analista do Danske Invest.
Os bancos também são afetados pelo declínio nos preços do petróleo e pela venda de bônus dos EUA de alto rendimento. “Os mercados estão tendo dificuldade para encontrar um piso para o preço do petróleo e um piso para os juros dos bônus dos EUA”, o que pesa sobre o sistema bancário, comentou Christensen.
Balanços ruins publicados no começo do dia contribuíram para o sentimento negativo com o setor. O francês Société Générale apresenta uma das maiores quedas na Europa, de 11,09%, às 9h50 (de Brasília), depois de alertar na apresentação de seu balanço trimestral que pode não cumprir a meta de lucro neste ano.
Os bancos italianos, porém, continuam como destaque e vários papéis chegaram a ter as negociações suspensas na Bolsa de Milão por terem atingido o limite de queda. O Mediobanca informou que seu lucro líquido caiu para 76,8 milhões de euros (US$ 86,7 milhões) no segundo trimestre fiscal, encerrado em 31 de dezembro, de 100,6 milhões de euros um ano antes. As ações do banco caía 8,23%. Unione di Banche Italiane, que anunciou resultados trimestrais abaixo do esperado, perdia 13,35%.
Também na Itália, UniCredit recuava 7,87%. Na Suíça, o Credit Suisse caía 7,81% e o UBS recuava 4,70%. Na Alemanha o Deutsche Bank perdia 6,56%, enquanto na Grécia o Eurobank Ergasias cedia 21,49%. Fonte: Dow Jones Newswires.