29/07/2016 - 14:46
Agosto nem começou e as más notícias começaram para a Embraer e os seus acionistas. A companhia anunciou um prejuízo de R$ 337 milhões no segundo trimestre, por conta do menor número de entregas no período – 26 aeronaves comerciais e 26 executivas – e do provisionamento de R$ 684,9 milhões (US$ 200 milhões), por causa de um processo que corre na justiça norte-americana, que investiga supostos desvios de conduta na venda de aeronaves usadas naquele mercado.
No início da tarde desta sexta-feira, 29, as ações da Embraer na Bolsa de Valores despencavam e chegaram a cair 15%, a R$ 15 reais em relação ao fechamento anterior.
De acordo com comunicado divulgado pela fabricante brasileira, a companhia é alvo de investigação por não ter cumprido as regras do U.S. Foreign Corrupt Practices Act (FCPA), a lei anticorrupção americana. De acordo com a imprensa local, a Embraer está sendo investigada por práticas relacionadas à comercialização de aeronaves usadas no mercado secundário.
Excluindo-se esse provisionamento e os encargos sociais e de imposto, o lucro líquido ajustado foi de R$ 155,6 milhões entre abril e junho. O prejuízo por ação, segundo a própria Embraer, será de R$ 0,46 no segundo trimestre.
Projeções mais magras
No começo de julho, a fabricante de aeronaves havia divulgado uma projeção de vendas mais otimista para os próximos 20 anos. A Embraer estimou que 6.400 novos aviões seriam vendidos em duas décadas, o equivalente a US$ 300 bilhões em receita.
De acordo com a companhia, a receita líquida projetada para 2016 no segmento de jatos executivos deve ficar entre US$ 1,6 bilhão a US$ 1,75 bilhão. A previsão anterior era de US$ 1,75 bilhão a US$ 1,90 bilhão.
São 50 aviões a mais que a previsão anterior, de 2014. Nesta sexta-feira, 29, a Embraer informou que espera entregar 70 a 80 jatos leves (até 130 assentos) , e de 35 a 45 jatos grandes (a partir de 130 assentos). Paulo César de Souza e Silva, o presidente que substituiu Frederico Curado terá uma missão e tanto pela frente.