Fica no centro financeiro de Nova York a sede da GFN, uma instituição de pequeno porte que oferece desde seguros residenciais até fundos de investimento. Não seria muito diferente de qualquer outro banco americano se o atendimento ali não fosse focado apenas na comunidade gay. Os serviços do GFN, iniciais de Gay Financial Network, da assessoria financeira ao contrato de hipoteca, são feitos para atender os interesses do público homossexual. E não se trata de nenhum trabalho voluntário de uma ONG que defende minorias. O que o GFN faz há três anos é apostar numa parcela da população americana que acumula uma renda superior a US$ 800 bilhões por ano e, só em 2000, gastou US$ 47 bilhões.

O GFN não está sozinho no mercado. Há por exemplo o G&L Internet Bank, um banco virtual que possui 88 mil clientes e recebe 235 novas consultas por dia pela rede. Até o Citibank americano estuda o lançamento de um fundo de investimento para a comunidade gay. O que esses produtos têm de diferente dos convencionais? ?Tentamos atender às necessidades específicas do nosso cliente?, responde Edward Frits Abell, diretor de negócios do GFN. Há, por exemplo, um seguro saúde familiar que permite que o parceiro seja o único dependente. Ou um plano de hipoteca para casais do mesmo sexo. Entre os fundos de ações, o único que adota o conceito gay é o Meyers Pride Value, administrado pela Meyers Capital Management. ?Investimos em firmas que tenham políticas direcionadas ou de respeito a gays e lésbicas?, explica William Sileo, vice-presidente da companhia. O fundo é o maior em captação setorizada dos Estados Unidos, com uma média anual de US$ 2 bilhões. Ainda não há nada parecido no Brasil. Mas não é por falta de mercado. A recém-criada Associação dos Empresários GLS do Brasil estima a população gay brasileira em 18 milhões de pessoas.