31/08/2001 - 7:00
Investimentos que rendem 1.200% em dezesseis anos, num resultado médio de 75% ao ano, são coisa rara ? ao menos, dentro da economia legal. Mas esse é exatamente o histórico de rendimento do Chatêau Margaux 1982, um dos vinhos mais caros do mundo, cuja caixa custava US$ 388 quando chegou ao mercado, em 1984, e vale hoje US$ 4.608. Observar números como esses levou muita gente, especialmente nos Estados Unidos, a comprar vinho de primeira classe em grandes quantidades, apenas como negócio. Seguindo essa lógica, o próximo passo seria transformar suco de uva fermentado em ativo financeiro. É o que vai acontecer na próxima semana, quando a Bolsa de Paris irá lançar um Mercado de Futuros de vinhos. Ali, em lotes de quinze caixas cada, serão negociados os direitos de compra de garrafas dos tintos de Bordeaux, os mais valorizados do planeta. Dos mais de 5 mil produtores de vinho franceses, apenas 140 foram autorizados a participar do novo mercado. Desses, 62 pertencem à chamada ?Classificação de 1855?, na qual as autoridades francesas apontaram os chatêaux que seriam considerados de qualidade controlada pelo governo. O anúncio do novo tipo de contrato já levou os especialistas a fazer as primeiras análises de risco. O inglês John Stimpfig, expert em leilões de vinhos, observou que só vale a pena investir nos produtos da categoria um (os mais caros). E aconselhou não colocar mais de 10% de seus ativos nesse tipo de mercado. Afinal, observou, ?os preços geralmente sobem, mas também podem descer?. Foi o que já aconteceu com a safra de 1997, cujo preço de lançamento foi considerado supervalorizado. Os investidores fora da França ainda desconfiam do novo tipo de contrato. Consideram que vinho,
mesmo agrupado em categorias, não é uma mercadoria
homogênea como soja ou café. Por isso, quem firmar um
desses contratos pode receber, ao fim do prazo final, garrafas
de qualidade inferior à esperada.