11/08/2004 - 7:00
O empresário Rogério Pereira e sua motocicleta, uma Harley-Davidson Fat Boy, ano 2000, são quase uma pessoa só. A moto é a segunda pele de Pereira, dono de uma distribuidora de rolamentos em São Paulo. Ele e sua máquina já estiveram em Bonito, no Mato Grosso do Sul, e em Foz do Iguaçu, no Paraná. Até na festa de centenário da Harley, realizada na cidade americana de Milwaukee, em 2003, Pereira compareceu montado em duas rodas. ?Viajo de moto quase todo final de semana?, diz Pereira. ?É a minha religião.?
Ele não está sozinho. Há tempos que o nome Harley-Davidson não significa só uma marca, mas um estilo de vida. Para fazer parte desse clube, ter uma motocicleta é apenas o primeiro passo. Hoje, tão importante quanto possuir uma Harley é personalizá-la. Seus proprietários gastam pequenas fortunas em acessórios. A Fat Boy de Pereira, por exemplo, custou R$ 50 mil. ?Gastei mais R$ 20 mil para deixá-la com a minha cara?, afirma. Nessa lista estão a troca do banco, do motor e do escapamento, além de novas lanternas, pneus e uma pintura especial. Sem contar os acessórios para o piloto. ?Tenho 30 camisetas, quatro jaquetas, três pares de botas, dois capacetes e uma roupa de chuva?, diz Pereira. ?Todos da Harley.?
Quando o assunto é a transformação das motocicletas, o limite é a criatividade e o bolso do interessado. Na concessionária Harley-Davidson dos Jardins, em São Paulo, a moto mais cara à venda é uma versão personalizada do modelo Night Train. A máquina chama atenção pelos detalhes, como o conjunto de manoplas e pedaleiras com o mesmo desenho. Preço: R$ 115 mil à vista. O exemplar em oferta é uma espécie de supra-sumo da customização, mas há opções para todos os gostos. Um relógio para o guidão sai por R$ 350. Pneus mais largos que os originais variam de R$ 570 a R$ 800. ?Em 2003 vendemos quase 600 motos?, afirma Sergio Moulatlet, diretor da concessionária. ?Em todas fizemos pelo menos uma adaptação.?
Essa combinação máquina e acessório faz a alegria dos executivos da Harley-Davidson. Há 18 anos que a empresa bate recordes consecutivos de faturamento. No ano passado, a receita global foi de US$ 4,6 bilhões, um aumento de 13% sobre 2002. O empresário paulista Walter Lapietra, dono da fábrica de válvulas IVC, contribuiu para esse bom resultado. Em dezembro, ele comprou um modelo Night Train zero quilômetro, avaliado atualmente em R$ 65 mil. O empresário de 58 anos já gastou mais R$ 9 mil para equipar a sua Harley. Há duas semanas, fazia planos para a próxima compra: um conta-giro de R$ 1.100. Questionado sobre o preço do acessório, não pechinchou. ?Você está em uma loja Harley-Davidson?, afirmou Lapietra à DINHEIRO. ?Aqui, tudo tem preço e valor de jóia.?