28/01/2026 - 11:37
O investimento viabilizado por políticas públicas para o audiovisual brasileiro alcançou R$ 1,41 bilhão em 2025, um número que supera o recorde anterior de R$ 1,098 bilhão, registrado em 2023. O valor representa ainda um crescimento de 29% em relação a 2024, apontam dados divulgados pela Ancine (Agência Nacional de Cinema) na terça-feira, 27.
O total disponibilizado decorre da soma de R$ 564,3 milhões desembolsados pelo Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) como investimento em produções, R$ 411 milhões fornecidos pelo fundo na forma de financiamento e R$ 437,8 milhões captados por produtores através de leis de incentivo. O valor investido pelo FSA também foi recorde na série histórica, ao superar os R$ 522,2 milhões registrados em 2018.
Veja os valores contratados por cada tipo de política pública nos últimos 10 anos:

A linha de investimento do FSA foca diretamente em recursos para produções de filmes e séries nacionais. Já o segmento de crédito inclui financiamento para empresas do setor gastarem em infraestrutura, modernização de estúdios e aquisição de equipamentos. Por fim, as leis de incentivo abrangem diversas iniciativas que atuam com renúncia fiscal para pessoas físicas e jurídicas, mediante o direcionamento dos valores para projetos previamente aprovados.
Produção também bate recorde
O impacto dos altos valores liberados pelo poder público para o audiovisual nos últimos anos ocasionou um recorde de produção. Em 2025, a Ancine registrou 3.981 obras brasileiras não publicitárias, um acréscimo de 4% em relação ao recorde anterior de 3.829, alcançado em 2024.
Desta quantia, 2,5 mil referem-se a obras brasileiras independentes, contra 2.343 em 2024, um aumento de 6,7%. Políticas de descentralização implementadas pelo órgão resultaram também em um recorde de obras de produtoras sediadas nas Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste: foram 810 registros, acréscimo de 9% em relação ao recorde anterior (743 registros em 2024).
Houve ainda aumento de cerca de 10% da presença das produções brasileiras nas salas de cinema. Em 2023, eram 3%. O crescimento ocorreu após o governo federal retomar em 2024 a política de cotas de tela, que fixa quantidades de exibições obrigatórias de produção nacional de acordo com a quantidade de salas de exibição de um determinado espaço. O decreto foi renovado em dezembro de 2025.
A retomada de investimentos do Fundo Setorial do Audiovisual
Os números crescentes de investimentos alcançados a partir de 2023 refletem um momento de retomada do FSA após uma forte crise de governança. Em 2018, uma investigação conduzida pelo TCU (Tribunal de Contas da União) e pelo MPF (Ministério Público Federal) concluiu que o fundo apresentava um descompasso entre seu caixa e as obrigações financeiras contratadas. O valor total disponibilizado em chamadas públicas havia sido de R$ 1,13 bilhão.
O fundo passou então a operar de forma deficitária, com cerca de R$ 200 milhões negativos. Sua recuperação custou anos de baixa atividade, implementação de controle rigoroso para os critérios de como ocorre a liberação de recursos e até uma força-tarefa para eliminar uma grande fila de prestação de contas dos projetos já realizados.
A Ancine defende que o fundo encontra-se hoje recuperado da crise. “O FSA superou os patamares históricos de investimento, mas desta vez com lastro financeiro garantido e governança sustentável”, diz o órgão em nota.
