18/06/2008 - 7:00
Na semana passada, Steve Jobs dedicou-se, mais uma vez, ao seu esporte preferido: deixar perplexos os consumidores e preocupados os concorrentes. Ao subir ao palco da Worldwide Developer Conference, em São Francisco (EUA), o fundador da Apple surpreendeu o mercado ao anunciar um iPhone popular. Um aparelho mais potente já era esperado – a nova versão é 3G, o que garante um acesso rápido à internet. Mas o seu preço superou as expectativas mais otimistas. O aparelho, que até então era objeto de desejo de muitos e acessível a poucos, promete chegar às mãos de todos que assim desejarem. O iPhone 2.0 de 8G será vendido por US$ 199 e o de 16G sai por US$ 299. Os modelos antigos custam US$ 399 e US$ 499 respectivamente. Se a primeira geração do iPhone vendeu 6 milhões de unidades desde o início de 2007, a Apple acredita que a nova versão chegue a 10 milhões de usuários no mundo só neste ano. Até 11 de julho, 22 países vão receber o iPhone 3G e, até o final do ano, 48 outros países entrarão na lista. O aparelho chega à América Latina pela América Móvel, no primeiro momento pelo México, e pela Telefônica. Em seguida, chegará ao Brasil pelas operadoras Claro e Vivo, que anunciou, nesta semana, um acordo com a Apple para a distribuição do produto. “O valor mais baixo faz parte de uma estratégia global da Apple de tornar o preço dos seus produtos mais acessíveis”, afirma Fábio Ribeiro, engenheiro de sistemas da Apple no Brasil.
Com a atual crise econômica dos EUA, ficou mais evidente o potencial de consumo de países estrangeiros, principalmente os países emergentes liderados pelos BRIC. Jobs, como outros gigantes da tecnologia, percebeu que para entrar nesses países era preciso baixar os preços, já que o mercado paralelo costuma ser muito presente. De acordo com analistas, existem hoje no Brasil 300 mil iPhones desbloqueados, vendidos no mercado informal. Além disso, em termos de tecnologia, a Apple não tem mais o monopólio da invenção. Horas antes do anúncio do novo iPhone, a Samsung apresentou o smartphone Omnia, com atributos semelhantes. O preço ainda não foi revelado, mas o celular chegará às lojas asiáticas na próxima semana e à Europa em julho, na mesma época que o iPhone 2.0. No mês passado, a HTC lançou o Touch Diamond. O aparelho custa em média US$ 700 dólares e desembarcará no Brasil no segundo semestre.
Mas a maior ameaça à Apple pode vir dos BlackBerry, da RIM. O BlackBerry Bold, lançado também em maio, antecipou as novidades do novo iPhone em termos de velocidade de internet, memória e resolução de imagem. De acordo com a empresa de pesquisa Canalys, no último trimestre de 2007, as vendas de BlackBerry cresceram 121% em relação ao mesmo período de 2006 e a participação de mercado aumentou 2,5 pontos, o que representa 11,4%. Já o iPhone rapidamente capturou 6,8% das vendas globais, passando a Motorola e a Palm. No entanto, nada disso foi suficiente para impressionar os mercados norteamericanos. As ações da Apple na segunda-feira fecharam em baixa de 2,13%. Mesmo assim, o iPhone 3G promete ultrapassar seu antecessor. A nova versão tem GPS integrado, é mais leve, tem a parte traseira de plástico, nas cores preto e branca, e bateria de maior duração. Além disso, o aparelho aceita aplicativos externos, disponíveis para download na App Store, a loja virtual da Apple. Programadores de diversas empresas foram convidados para desenvolver aplicativos. É o caso do eBay, que apresentou um serviço especial de acesso ao site de leilões. A Sega terá seu primeiro game para iPhone: Super Monkey Ball, que será vendido por US$ 9,99. Os jogos Cromag e Enigmo, feitos para Mac, também foram adaptados para iPhone. Além de ameaçar o mercado de smartphones, o iPhone entra agora na disputa pelo mercado de games portáteis.
Roberta Namour