06/01/2011 - 0:05
Uma americana apresentada como “espiã” pela imprensa iraniana que, por sua vez, havia anunciado a detenção dela na fronteira com a Armênia semana passada, foi expulsa de imediato ao país vizinho. Mas ela não pôde entrar no Irã por não ter visto, anunciou nesta quinta-feira a televisão iraniana, ao contrário do que havia sido divulgado pela agência semioficial FARS e jornais de Teerã.
“Esta americana não pôde entrar no Irã. Veio em direção aos guardas da fronteira, mas como não tinha visto não foi autorizada a entrar no país. Foi enviada de volta à Armênia”, afirmou a televisão em árabe Al Alam, citando uma “fonte de segurança local”.
Pouco antes, a agência de informação semioficial FARS havia anunciado a detenção desta mulher, de 55 anos, identificada como Hal Talayan, e com quem os serviços de segurança descobriram “materiais de espionagem (microfones) implantados nos dentes”.
Esta versão de Al Alam sobre o incidente ocorrido na última semana contradiz a apresentada pouco antes pela FARS, que citava uma “fonte informada” não identificada.
A informação da FARS, já mencionada sem fonte por dois sites ultraconservadores iranianos, foi retomada nesta quinta-feira pouco antes da versão de Al Alam pela televisão estatal em persa, que citava esta agência, sem dar mais detalhes.
“Após a prisão, a espiã americana declarou aos seguranças que os agentes armênios a matariam se voltasse à Armênia”, também havia afirmado a FARS.
O Irã tem em seu poder desde 2009 dois americanos, Shane Bauer (28 anos) e Josh Fattal (28 anos), detidos na fronteira com o Iraque. Eles afirmam ter cruzado por erro a fronteira durante uma caminhada pelas montanhas do Curdistão iraquiano.
Outra americana, Sarah Shourd (32 anos), detida com eles, foi liberada sob fiança por motivos de saúde, em setembro, e voltou ao seu país.
Os três americanos foram acusados de espionagem pela justiça iraniana – o que Washington sempre desmentiu – e devem comparecer perante um tribunal no dia 6 de fevereiro.
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