O ministro iraniano das Relações Exteriores se pronunciou nesta quarta-feira a favor de iniciar negociações de paz entre iemenitas com supervisão das Nações Unidas para por fim a um conflito que já deixou centenas de vítimas desde o final de março.

“Todas as partes em Iêmen deveriam se comprometer com um diálogo sem condições prévias”, declarou Mohammad Javad Zarif, falando na Universidade de Nova York.

No entanto, opinou que esse diálogo não poderá acontecer nos Emirados Árabes Unidos, “já que lamentavelmente os Emirados estão envolvidos no conflito”.

Essas negociações devem acontecer em um local não envolvido, enfatizou.

Uma coalizão árabe sunita liderada pela Arábia Saudita bombardeia desde 26 de março rebeldes huthis xiitas, armado, segundo Riade, pelo Irã.

Zarif também disse que o diálogo deve ser desenvolvido sob a égide das Nações Unidas, à imagem da conferência de Bonn, que permitiu formar um governo no Afeganistão após a queda do regime talibã, em 2001.

A ONU diz que o conflito já deixou mais de 1.000 mortos desde o final de março.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, que na segunda-feira se reuniu em Nova York com Zarif, disse que o futuro do Iêmen não deve ser decidido por “partes ou intermediários externos”, se referindo ao Irã.

Os Estados Unidos apoiam a coalizão árabe contra os rebeldes huthis.

Kerry também evocou a questão nesta quarta-feira, quando se reuniu com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

“Eles falaram sobre a necessidade de passar para um diálogo político o quanto antes” entre os iemenitas, comentou a porta-voz do Departamento de Estado Marie Harf, sem mencionar que forma esse processo poderia tomar.