16/06/2020 - 8:24
O Irã alertou, nesta terça-feira (16), que a resolução prevista pelo Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) – chamando Teerã à ordem por não aceitar a inspeção de dois lugares considerados suspeitos – seria “contraproducente”.
Reagindo à proposta de resolução enviada por vários Estados europeus durante a reunião do Conselho de Governadores da AIEA, o embaixador iraniano Kazem Gharib Abadi considerou que a “apresentação desta resolução, pedindo ao Irã que coopere com a Agência (…) é decepcionante e totalmente contraproducente”.
Apresentado por Alemanha, França e Reino Unido, o projeto de resolução deseja lembrar o país de sua obrigação de cooperar com a AIEA, no momento em que Teerã se recusa a permitir o acesso a dois locais suspeitos de terem realizado no passado atividades nucleares não declaradas.
Em um comunicado enviado à imprensa, o representante iraniano alertou que, se a resolução for aprovada, seu país “não terá escolha a não ser tomar as medidas apropriadas, cujas consequências recairão sobre os autores desses atos com objetivos políticos e destrutivos”.
A adoção de uma resolução da AIEA crítica para com um de seus membros é uma maneira pouco comum de proceder. A última, contra o Irã, data de 2012.
Por enquanto, esse texto teria acima de tudo um valor simbólico, mas pode ser o prelúdio da transmissão do caso ao Conselho de Segurança da ONU, que pode, sim, adotar sanções.
As supostas atividades nucleares que a agência da ONU deseja verificar teriam sido realizadas há 15 anos no Irã. Não há indicação de que elas continuem, ou de que sejam uma ameaça no momento. De acordo com a AIEA, no entanto, o Irã deve aceitar essas inspeções solicitadas.
“Teerã não pode satisfazer todos os pedidos com base em acusações mal-intencionadas fabricadas por seus inimigos”, frisou o embaixador, acusando Israel de ser a origem dessas acusações.
