Os dirigentes israelenses festejaram nesta quarta-feira a vitória diplomática ante os Estados Unidos, que, véspera, desistiram de obter a suspensão da colonização israelense na Cisjordânia como condição para reativar as negociações de paz com os palestinos.

O chefe da principal organização de colonos, Danny Dayan, que fez campanha contra qualquer tipo de congelamento da colonização, expressou sua felicidade depois da decisão de Washington.

“Israel aguentou e não cedeu às estranhas e extremistas exigências dos americanos e o céu não caiu sobre nós. Os Estados Unidos nem sequer nos criticaram”, disse Dayan, secretário-geral do Conselho de Assentamentos na Cisjordânia, à rádio militar.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu havia aceitado o plano americano com hesitação e exigido garantias escritas sobre compensações políticas e militares, o que não obteve.

“A parte americana chegou à conclusão de que um congelamento na Judeia e na Samaria (Cisjordânia) não resolveria o problema (…) Dissemos desde o início que a colonização não é a raíz do conflito e que serve de pretexto aos palestinos para não negociar”, afirmou à rádio militar o porta-voz de Netanyahu, Nir Hefetz.

“As expectativas dos palestinos que pensavam que se podia chegar a um acordo sobre as fronteiras durante os três meses de congelamento não eram razoáveis”, informou.

“O objetivo não era a paralisação, mas sim chegar a um acordo. No entanto, os palestinos devem compreender o que os americanos compreenderam – não é possível isolar o assunto das fronteiras (do futuro Estado palestino) de outras questões importantes”, declarou por sua vez à rádio pública Tzvi Hauser, secretário do gabinete.

O plano dos Estados Unidos previu um acordo sobre o traçado das fronteiras durante estes três meses de congelamento.

“Os americanos chegaram à conclusão de que é necessário abrir outras vias para atingir um acordo base”, segundo Hefetz.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmud Abbas, lamentou o fato de as negociações de paz no Oriente Médio terem entrado em uma “crise difícil”, depois da decisão americana.

“Sem dúvida há uma crise, uma crise difícil”, declarou Abbas após uma reunião com o primeiro-ministro grego Giorgos Papandreou em Atenas.

Abbas manifestou o desejo de que a União Europeia (UE) tenha mais envolvimento no processo de paz para permitir uma reativação das negociações.

Um negociador palestino, Yaser Abed Rabbo, por sua vez, questionou a capacidade do presidente americano Barack Obama de fazer com que as negociações de paz com Israel avancem, após sua tentativa fracassada de impor um novo congelamento da colonização na Cisjordânia ao governo israelense.

“A política do governo americano fracassou depois do golpe dado pelo governo israelense”, declarou Abed Rabbo à rádio oficial Voz da Palestina.

“Nós levaremos em conta esta mudança na política americana (…) para determinar se a administração americana, que fracassou em seus esforços uma primeira vez, pode conseguir algo no futuro”, disse.

O negociador indagou de que maneira os Estados Unidos poderiam “impor a Israel uma solução equitativa fundada no direito internacional” depois de não ter conseguido obter uma moratória temporária.

“Este fracasso nos estimula a, mais uma vez, dirigirmo-nos à comunidade internacional”, acrescentou, manifestando sua “surpresa diante da posição americana que critica o reconhecimento do Estado Palestino por parte do Brasil e da Argentina”.

Em Bruxelas, a chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Catherine Ashton, lamentou a intransigência de Israel em congelar a colonização na Cisjordânia, que continua sendo “ilegal” e dificulta os esforços de paz com os palestinos.

“Constatamos com pesar que os israelenses não aceitaram prolongar a moratória, como pediam a União Europeia (UE), os Estados Unidos e o Quarteto para o Oriente Médio”, afirmou a porta-voz de Ashton à AFP.

“Nossa postura sobre a colonização é clara: é ilegal segundo o direito internacional e constitui um obstáculo para a paz com os palestinos”, completou.

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