17/08/2022 - 8:20
Israel e Turquia anunciaram nesta quarta-feira (17) que vão retomar suas relações diplomáticas após vários anos de tensões, mas Ancara afirmou que continuará “defendendo os direitos dos palestinos” apesar da decisão.
O primeiro-ministro israelense Yair Lapid disse que a medida representa um “importante ativo para a estabilidade regional e uma notícia econômica muito importante para os cidadãos de Israel”.
“Decidimos aumentar novamente o nível das relações entre os dois países, para laços diplomáticos plenos e com o retorno dos embaixadores e cônsules-gerais dos países a seus postos”, afirmou o gabinete de Lapid em um comunicado.
O anúncio foi divulgado após meses de esforços bilaterais para reforçar os laços, com visitas de altos funcionários dos dois lados.
O ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu, afirmou em uma entrevista coletiva em Ancara que, apesar da medida, a Turquia “continuará defendendo os direitos dos palestinos, de Jerusalém e de Gaza”.
Em maio, Cavusoglu se tornou o primeiro-ministro das Relações Exteriores turco a visitar Israel em 15 anos, em uma viagem na qual também se reuniu com líderes palestinos da Cisjordânia ocupada.
Durante uma visita do presidente israelense, Isaac Herzog, a Ancara em março, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou que o encontro representou uma “mudança nas relações” entre os dois países.
Os laços entre os dois países começaram a perder força em 2008, após uma operação militar israelense em Gaza.
As relações esfriaram em 2010 com a morte de 10 civis em um bombardeio israelense contra o navio turco “Mavi Marmara”, que integrava uma frota que tentava romper o bloqueio imposto por Israel em Gaza.
Em 2016, um acordo de reconciliação permitiu o retorno a seus postos dos embaixadores, mas isso foi deixado de lado em 2018, quando mais de 200 habitantes de Gaza foram mortos por forças israelenses durante protestos na fronteira entre a Faixa de Gaza e o território israelense, o que levou os países a convocar seus representantes para consultas.
– “Defender” os direitos dos palestinos –
Os esforços em direção a uma reconciliação se tornaram públicos em julho de 2021, quando Herzog assumiu o cargo.
Nesta quarta-feira, o presidente israelense afirmou que a restauração completa das relações diplomáticas “encorajarão uma das maiores relações econômicas, o turismo mútuo e a amizade entre os povos israelense e turco”.
Apesar das disputas diplomáticas dos últimos anos, o comércio entre os dois países se manteve e a Turquia continuou sendo um destino popular para turistas israelenses.
Ainda assim, as autoridades israelenses pediram a seus cidadãos para voltarem para casa “o mais rápido possível” por temores de que o Irã poderia atacar Istambul.
Lapid agradeceu ao governo turco sua cooperação neste tema.
Diante do temor de que o reforço de suas relações com a Turquia pudesse afetar seus aliados regionais, o presidente israelense visitou o Chipre e a Grécia antes de viajar a Ancara.
A Turquia destacou que, apesar da retomada de relações com Israel, “não abandonará a causa palestina”.
Ancara mantém relações com o governo palestino da Cisjordânia ocupada e com o movimento islamita Hamas, que governa a Faixa de Gaza.
Efraim Inbar, presidente do Instituto de Estratégia e Segurança de Jerusalém, indicou que os observadores não devem “ter ilusões” ao pensar que as relações bilaterais serão tão boas quanto as da década de 1990.
“Enquanto Erdogan estiver no poder, haverá um certo nível de hostilidade da Turquia para com Israel, por sua conexão com o islamismo. Por exemplo, ele continuará apoiando o Hamas”, declarou Inbar à AFP.
Desde 2007, Israel impõe um bloqueio aos 2,3 milhões de habitantes da Faixa de Gaza. Como muitos países ocidentais, o Estado hebreu considera o Hamas como uma organização terrorista.
