20/02/2023 - 9:30
Milhares de pessoas se manifestaram em frente ao Parlamento de Israel nesta segunda-feira (20) em oposição a um projeto de reforma judicial que consideram uma ameaça à democracia e que deve ser votado de forma parcial em algumas horas.
Os protestantes se reuniram perto do Parlamento israelense e empunharam cartazes com mensagens como “Ministro do crime” e “Farto dos corruptos”. Além de repetirem máximas como “Israel não é uma ditadura!” e “Democracia é diálogo”.
A reforma judicial proposta pelo governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, no início de janeiro, provocou forte rejeição da opinião pública, que a vê como uma ameça à democracia.
Esta medida busca reduzir a influência do poder judicial ao introduzir uma cláusula que permite que o Parlamento anule algumas decisões da Suprema Corte por maioria simples.
O presidente israelense, Isaac Herzog, que tem um papel essencialmente protocolar, alertou no domingo (19) sobre as fraturas que o projeto pode causar na sociedade.
Netanyahu lidera a coalizão de partidos judeus de direita, extrema direita e ultraortodoxos, considerados os mais à direita na história do país.
– “Sem limitação” –
Desde que assumiu o poder no final do ano passado, dezenas de milhares de pessoas têm protestado todos os sábados em Tel Aviv para rejeitar a reforma.
O projeto também propõe mudanças na nomeação dos juízes da Suprema Corte e uma redução dos poderes de assessores jurídicos dentro dos ministérios.
“O Estado está em perigo (…) é uma tentativa de golpe de Estado para transformar Israel em uma ditadura”, disse à AFP Dvid Bar, um manifestante presente no ato.
Para Netanyahu e seu ministro da Justiça, Yariv Levin, o projeto é necessário para reequilibrar as relações de força entre os deputados e a Corte perante um tribunal que consideram politizado. Já para seus opositores, a reforma ameaça o caráter democrático do Estado de Israel.
“Sem a fiscalização da Justiça, o governo pode tomar as decisões políticas que quiser sem nenhuma limitação”, denuncia Kovi Skier, um manifestante de Givat Shmuel, no centro do país.
No norte de Israel, cerca de 4 mil pais de alunos de uma escola de ensino fundamental protestaram com seus filhos, ao lado dos professores da instituição.
A polícia anunciou a detenção de oito manifestantes que tentaram bloquear o acesso a algumas estradas e à casa de um deputado.
“Quando os manifestantes tentam impedir que os deputados votem no Knesset, não é um protesto legítimo”, criticou o premiê.
Algumas figuras da direita também rejeitam a reforma, como a ex-chefe do Shin Beth (Agência de Segurança de Israel), Yoram Cohen.
É “impossível mudar a natureza do Estado no nível judicial sem um amplo acordo”, declarou nesta segunda-feira na rádio militar.
