O CEO do JPMorgan Chase, Jamie Dimon, enviou um sinal de alerta contundente aos mercados globais nesta segunda-feira, 6.

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Em sua aguardada carta anual aos acionistas, o banqueiro afirmou que a guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz criam o cenário ideal para choques persistentes nos preços de energia e commodities.

Para Dimon, essa pressão inflacionária deve forçar o Federal Reserve (Fed) manter as taxas de juros em patamares mais elevados do que o projetado pelos investidores, interrompendo o ciclo de otimismo que levou as bolsas a recordes em 2025.

Apesar da resiliência do consumo americano, Dimon alerta que a reestruturação das cadeias de suprimento e o cenário de proliferação nuclear tornam o atual momento um dos mais desafiadores da geopolítica moderna.”

Jamie Dimon, de 70 anos, que dirige o JPMorgan, o maior banco dos EUA, há duas décadas, também afirmou que o setor de crédito privado “provavelmente” não representa um risco sistêmico, apesar das recentes movimentações dos investidores para se afastarem desses fundos em meio a preocupações de que avanços de inteligência artificial prejudiquem os tomadores de empréstimo.

“Os desafios que todos enfrentamos são significativos”, acrescentou Dimon, citando riscos geopolíticos como a guerra na Ucrânia, hostilidades mais amplas no Oriente Médio e tensões com a China.

“Agora, devido à guerra no Irã, enfrentamos ainda o potencial de choques significativos e contínuos nos preços do petróleo e das commodities, juntamente com a reestruturação das cadeias globais de suprimentos, o que pode levar a uma inflação mais persistente e, em última análise, a taxas de juros mais altas do que os mercados esperam atualmente.”

O tempo dirá se a guerra com o Irã alcançará os objetivos dos EUA, disse Dimon, acrescentando que a proliferação nuclear continua sendo o maior perigo representado pelo Irã.

As preocupações com a inflação provocada pela guerra levaram os mercados a descartar, em grande parte, cortes nas taxas de juros nos EUA este ano, depois que a flexibilização monetária impulsionou ações para máximas históricas em 2025.

Na semana passada, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, encerrou seu pior trimestre desde 2022, pressionado desde o final de fevereiro pela guerra e o consequente aumento nos preços da energia.

Dimon afirmou que a economia dos EUA continuava resiliente, com consumidores ainda ganhando e gastando, embora com alguma fragilidade recente, e as empresas continuam saudáveis.

Mas ele alertou que a economia foi impulsionada por grandes quantidades de gastos do governo e estímulos anteriores, enquanto o aumento dos gastos com infraestrutura permaneceu sendo uma necessidade crescente.

O estímulo fiscal do “Grande e Belo Projeto de Lei” do presidente Donald Trump, as políticas de desregulamentação e os investimentos de capital impulsionados pela inteligência artificial são outros fatores positivos para a economia, disse Dimon.

Crédito privado pode não apresentar risco sistêmico, segundo Jamie Dimon

Dimon afirmou que o mercado de crédito privado de US$ 1,8 trilhão é relativamente pequeno. Mas, alertou ele, quando o ciclo de crédito enfraquecer, as perdas em todos os empréstimos alavancados serão maiores do que o esperado, visto que os padrões de crédito têm se enfraquecido modestamente em todos os setores.

O crédito privado também não costuma ter grande transparência ou critérios rigorosos de avaliação de empréstimos, aumentando a probabilidade de os investidores venderem se acharem que o cenário vai piorar, afirmou ele.

Na semana passada, a Blue Owl informou aos investidores que estava limitando os saques de dois fundos após um nível histórico de pedidos de resgate no primeiro trimestre, com preocupações relacionadas à inteligência artificial provocando um êxodo de investidores de seu fundo focado em tecnologia.

Dimon também aproveitou a carta para criticar duramente as regras de capital revisadas propostas pelos reguladores bancários dos EUA no mês passado, classificando alguns aspectos como ainda “absurdos”.

O JPMorgan esteve entre os bancos que lutaram arduamente para diluir as versões preliminares de 2023 das chamadas regras de sobretaxa de Basileia 3 e GSIB (Bancos Sistemicamente Importantes a Nível Global).

Mas, nesta segunda-feira, 6, Dimon disse que as propostas ainda eram “muito falhas”, acrescentando que a sobretaxa do JPMorgan para GSIBs, uma camada extra de capital mantida por esses bancos, cairia apenas para 5,0%, um número que, segundo ele, punia seu sucesso e era “absurdo” e “anti-americano”.