02/02/2005 - 8:00
Dentro do Palácio dos Bandeirantes, o governador Geraldo Alckmin gosta de olhar através dos janelões planejando seus próximos lances. Vários, no campo econômico, ele está executando a partir de agora. É o momento certo para empresários de diferentes portes e setores voltarem suas atenções para o próprio Alckmin e a sede do governo paulista. Com cifras estimadas em cerca de R$ 3 bilhões, está sendo desatado um ambicioso pacote de oportunidades. Compras de mercadorias, concessões de longo prazo e parcerias público-privadas, tudo faz parte da oferta do governador ao mercado. ?O Estado tem de ser indutor da economia?, diz ele à DINHEIRO. ?A aliança entre o setor público e os empresários é boa para todos.?
Nesta semana, abre-se o processo de compras de material escolar para 6 milhões de alunos da rede estadual. Em lápis, borrachas e mochilas, o governo está pronto a gastar até R$ 50 milhões. A partir de março, todas as 20 secretarias farão licitações para a operação de serviços de telefonia. Leva quem garantir a melhor tarifa. Até o final do primeiro semestre, seis Policlínicas construídas pelo Estado estarão à disposição de organizações sociais interessadas em administrá-las. As peças mais vistosas do pacote, no entanto, são as parcerias público-privadas. Para a ampliação do Metrô paulistano, o governo está abrindo com recursos próprios uma linha de 12,8 quilômetros ? e empresas dispostas em investir R$ 1,2 bilhão em trilhos e trens ficarão com as receitas das tarifas por 10 anos. Na região de Campinas, o prêmio às companhias que se dispuserem a duplicar a rodovia dos Tamoios com investimentos de R$ 1,3 bilhão será o pedágio. Na área de esportes, o governo quer erguer o Complexo Poliesportivo do Ibirapuera. Obra de R$ 98 milhões em troca da operação do espaço por longo prazo. A construção do segundo pier no porto de São Sebastião (R$ 77 milhões) tem na sua operação a contrapartida.
Hospitais, presídios, restaurantes populares e até o Poupa Tempo ? um sucesso popular para a confecção expressa de documentos ? igualmente fazem parte das janelas de oportunidades abertas pelo governo paulista. Nesta semana, Alckmin em pessoa assina a renovação de concessões a organizações sociais de 17 hospitais públicos. Os prédios e equipamentos são do Estado, mas toda a administração e contratação de pessoal é de entidades que venceram licitações. Neste setor, não pode haver fins lucrativos. Empresas privadas já administram 18 presídios em São Paulo, sendo ressarcidas pelas despesas com os presos. Um sistema semelhante está sendo empregado nos 18 restaurantes populares que vendem refeições a R$ 1. Em fase final de licitação, dois Poupa Tempo, em Osasco e Santos, levarão empresas privadas a terem direito de expedir documentos públicos. No Palácio dos Bandeirantes, dez dias atrás, a Embratel desbancou a Telefônica derrubando os preços das tarifas telefônicas. Feliz com a economia, Alckmin determinou que todas as secretarias coloquem na rua licitações para seus serviços de comunicação.