Os atletas dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina são modelos que vão além da esportividade – e isso ficou claro desde a cerimônia de abertura, quando o Brasil chamou atenção com o uniforme da delegação criado pela grife italiana Moncler em colaboração com o designer Oskar Metsavaht.

Mas o dia a dia das competições das Olimpíadas de Inverno também desperta interesse nos consumidores devido às roupas das delegações. O time dos Estados Unidos foi um dos que captou os olhares por conta de uma jaqueta inflável, exibida quando um atleta sobe ao pódio com sua medalha. É a Air Milano, um modelo “therma-fit” da Nike. Ou seja, que se adequa à temperatura.

Há quase cinco décadas, a marca esportiva vem trabalhando com o ar, por assim dizer, com foco em performance para seus tênis. O primeiro modelo surgiu em 1978, como proposta de amortecimento para poupar os pés de corredores.

Porém, o conceito se popularizou mesmo com o Air Jordan, parceria com o astro do basquete Michael Jordan, lançado em 1985. O sucesso do “ingrediente” fez a empresa mirar em novas oportunidades.

Criada paras as Olimpíadas de Inverno

Em outubro passado, a Nike apresentou para o mundo a Air Milano Jacket, uma peça chamada de “a mais tecnicamente avançada” já criada pela empresa na área de vestuário de performance. Ela vem equipada com a tecnologia A.I.R. (de “Adapt. Inflate. Regulate”, ou “adapte, infle e regule”, em tradução livre).

Na prática, quer dizer que a jaqueta infla e desinfla de forma rápida (cerca de 20 segundos) conforme a necessidade de aquecimento e com ajuda de um pequeno ventilador dentro da roupa, alimentado por bateria, que “bomba” o ar.

Basta pressionar um botão na frente da jaqueta. Com isso, a pessoa não precisa usar outra peça, dispensando o efeito cebola (vestir-se com camadas de roupas).

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Desinflada, a Air Milano Jacket é como um corta-vento. Se for totalmente inflada, deixa o usuário quente como se vestisse uma jaqueta puffer (a de gomos) de espessura média.

Tudo isso pode ser feito durante um treino, quando a temperatura corporal sobe com a duração do exercício. Assim, nenhum atleta precisa tirar a jaqueta em meio à atividade.

O produto nasceu dos esforços da equipe de pesquisadores do Nike Sport Research Lab (NSRL) e dos designers da companhia. Eles criaram uma jaqueta em que o ar é moldado no volume e no espaço.

São duas camadas de tecido que permitem esse mecanismo. Os detalhes foram desenvolvidos com ferramentas digitais e design computacional para esculpir o ar de forma precisa, com base em dados e mapeamento corporal do laboratório.

A Air Milano foi aprimorada após mais de 380 horas de testes realizados no Colorado, no local onde os atletas dos Jogos Olímpicos estavam se preparando. Eles usaram a jaqueta em diversas situações, correndo, pedalando, esquiando e praticando snowboard, oferecendo à marca um retorno sobre o atendimento das necessidades térmicas e de movimentos.

“Projetada para oferecer aquecimento ajustável, esta jaqueta combina inovação com uma forma escultural que parece ganhar vida, redefinindo a experiência sensorial do vestuário esportivo,” declarou Drea Staub, diretora de design de inovação em vestuário da Nike.

O modelo não está à venda, no momento. Por ora, é mais um exemplo da capacidade de inovar da marca. O uniforme, em que a jaqueta foi o grande chamariz, foi exibido em instalação montada pela Nike nos arredores das competições em Milão e Cortina d’Ampezzo.

Quatro “fits”

A jaqueta da equipe olímpica dos Estados Unidos faz parte de um sistema que a Nike adotou para impulsionar projetos de inovação, o FIT (de Functional Innovative Technologies, ou, em português, tecnologias funcionais inovadoras).

A Air Milano está dentro da proposta de isolamento térmico. Daí, “therma-fit”. Outras soluções são “Aero-Fit” (para resfriamento), “Dri-Fit” (absorção de suor) e “Storm-Fit” (proteção contra intempéries).

No mesmo mês em que revelou a jaqueta “therma fit”, a Nike lançou uniformes de futebol “Aero-Fit”, com tecido e tecnologia que permite uma maior absorção de suor e também ventilação, o que ajuda a resfriar o corpo do jogador. É uma peça que vai facilitar a vida de quem enfrenta temperaturas mais elevadas do que o habitual.

Nike

Ao menos, é essa a ideia. A estreia da tecnologia será na Copa do Mundo 2026, com uniformes adotados pelas seleções patrocinadas pela marca, como Brasil, França, Holanda e Estados Unidos.

Segundo a empresa, a Aero-Fit foi projetada para movimentar mais ar entre a pele e o tecido, melhorando a eficiência da transpiração e mantendo os atletas secos e confortáveis quando o jogo esquenta.

Os designers utilizaram mapas de calor e dados sobre movimentação dos atletas para definir da estrutura dos fios à distribuição das zonas de ventilação.
Dentre os projetos de inovação da companhia, um já está disponível para o consumidor, inclusive o brasileiro. É uma linha de calçado desenvolvido com base em neurociência – é o que garante a Nike.

A empresa explica que, após dez anos de pesquisas, criou dois modelos, o Mind 001 (mule) e Mind 002 (tênis), que contam com 22 cápsulas independentes de espuma na sola.

Fixadas a um material flexível e resistente à água, elas funcionam como “pistões sensoriais”, reproduzindo a sensação e até a textura do solo sob os pés, que têm terminações nervosas que podem ser estimuladas para diversos fins, até o relaxamento.

Nike

Com o emprego dessas cápsulas, os calçados, de acordo com os designers, podem aprimorar a consciência corporal, reduzir distrações e aumentar a concentração.

Os modelos são as primeiras inovações do Nike Mind Sciences Department, divisão do Nike Sport Research Lab dedicada a aprofundar o entendimento sobre a conexão entre corpo e mente.

Os neurocientistas que fazem parte desse grupo estudam atividade cerebral, cognição e sistema nervoso de atletas em movimento, gerando insights para novas categorias de produtos e serviços voltados à preparação, treino, competição e recuperação.

Trevor Barss, pesquisador-chefe da equipe de Mind Sciences, conduziu os primeiros estudos em neurociência para a criação do Nike Mind. Neurocientista sensorial especializado em neurofisiologia, ele utilizou eletrocardiograma e outras exames para investigar como o feedback tátil altera os padrões de atividade cerebral.

A depender dele, os modelos de mule e tênis são apenas o início de um capítulo para a empresa. “Durante os primeiros 45 anos, a pesquisa da Nike concentrou-se no corpo do pescoço para baixo. Os próximos 45 incluirão o cérebro”, declarou em uma publicação da marca.

A linha mal desembarcou no Brasil e já acabou. Ela veio em quantidades limitadas e custavam entre R$ 510 e R$ 770. O surfista Ítalo Ferreira é dono de um par de Nike Mind no estilo mule. Ainda não se sabe quando vão chegar mais unidades.