O republicano Jeb Bush já arrecadou 114,4 milhões de dólares, a partir de janeiro, para sua campanha visando à Casa Branca, um valor exorbitante que revela o enfraquecimento dos limites legais de financiamento eleitoral.

A campanha oficial de Jeb Bush anunciou nesta quinta-feira que arrecadou 11,4 milhões de dólares entre 15 de junho, dia do anúncio oficial da candidatura, e 30 de junho.

A maioria das doações – 103 milhões entre janeiro e junho – foi obtida por um dos supercomitês de ação política (Super PACs), o “Right to Rise”, capaz de arrecadar contribuições sem limite, sem estar submetido ao teto legal de doações diretas aos candidatos de 2.700 dólares por pessoa durante as primárias.

Os Super PACs devem ser oficialmente independentes do candidato e não coordenar com ele as ações de campanha, especialmente as de comunicação.

Na prática, o “Right to Rise” é dirigido por assessores de Jeb Bush e teve sua criação anunciada pelo próprio pré-candidato. Ele participou de recepções para arrecadar fundos, cujas entradas custaram milhares de dólares.

Já a democrata Hillary Clinton arrecadou diretamente 45 milhões de dólares entre 12 de abril e 30 de junho, o que constitui um recorde para um primeiro trimestre de doações diretas a um candidato.

A utilização destes comitês paralelos está se tornando um hábito entre os candidatos à presidência em 2016, muitos dos quais lhes delegam outras funções, como pesquisas e propaganda.

Hillary Clinton tem o “Correct the Record”, um comitê democrata cuja missão é responder em tempo real aos ataques e investir contra os adversários.

“Jeb Bush está nos levando ao ‘Velho Oeste’ dos gastos eleitorais, onde se ignoram ou driblam as regras do financiamento eleitoral em um abrir e piscar de olhos…”, reagiu o presidente da associação americana Public Citizen, Robert Weissman.