A Metlife, um gigante dos seguros que administra uma carteira de US$ 1 trilhão em 17 países, deu seu primeiro passo no Brasil em 1998. Na época, buscava negócios nas empresas multinacionais, as mesmas que formam sua clientela nos Estados Unidos. Agora ela ensaia o segundo passo. Trata-se de um movimento agressivo para conquistar o público de classe média ? profissionais liberais, pequenos empresários, a grande massa que nos balcões dos bancos é tratada sob a rubrica ?pessoa física?. A companhia vai investir na formação de corretores para atender o grande público ? inclusive criando uma Escola Metlife. No início do ano ela lançou um plano de aposentadoria, tipo PGBL, com taxas de carregamento agressivamente menores que as da concorrência, e agora anuncia que vai emprestar dinheiro para seus clientes a juros menores que os cobrados pelos bancos.

A idéia da Metlife é investir num produto que, embora exista no Brasil, é pouquíssimo divulgado ? representa menos de 1% do volume de contratos, diferentemente dos Estados Unidos, onde é o principal tipo de apólice, conhecida como ?universal life?. É um seguro de vida que também serve para formação de poupança. O cliente faz uma contribuição mensal, vai acumulando dinheiro e sendo remunerado com juros semelhantes aos de uma caderneta. Quando sofre algum aperto no orçamento ele pode fazer empréstimos, no limite do valor que possui depositado. A taxa cobrada é a dos juros da poupança, muito inferior à do crédito pessoal em qualquer instituição. ?As seguradoras brasileiras não querem oferecer esta opção aos clientes, porque significa retirar dinheiro do caixa?, explica o diretor corporate da Metlife, Maurício do Amaral. ?Também não querem oferecer crédito barato quando podem cobrar juros elevados. Para nós, a lógica é exatamente a oposta. Queremos oferecer todos os serviços possíveis.?

O avanço da Metlife no Brasil é discreto, porém significativo. Em 1999 ela ocupava o posto de 75ª seguradora do País. No ano passado subiu para 27º. Até o ano que vem pretende figurar entre as 15 primeiras. Sua meta, estabelecida em 1998, é figurar até 2003 na lista das cinco maiores no País. Maior empresa de seguros de vida dos EUA, ela tem mercado mais do que garantido em sua terra natal ? atende 86 das 100 maiores empresas da lista da revista Fortune. O problema é que, lá, o mercado está saturado. Por isso vem investindo em países emergentes, onde há uma classe média que consome cada vez mais como no Primeiro Mundo. Brasil e Índia estão entre essas grandes apostas globais.

Invadir o espaço dos bancos é uma política global da Metlife. Nos EUA, em busca de alternativas para crescer num mercado já superlotado, ela comprou no início do ano o Grand Bank, uma pequena instituição de New Jersey, apenas para poder realizar operações que exigem carta patente. A lei americana proibia até recentemente qualquer tipo de associação entre seguradoras e bancos, mas uma emenda aprovada em 1999 permitiu essas uniões. Agora a Metlife quer oferecer aos clientes produtos típicos de bancos de varejo, como contas correntes, cartões de débito e internet banking. A estratégia parece estar dando certo. A companhia, que tem 130 anos (pagou o seguro dos náufragos do Titanic, em 1912), somente no ano passado lançou suas ações em bolsa. Desde então, elas se valorizaram em 70%.